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Atualizado às: 16 de outubro, 2005 - 04h15 GMT (01h15 Brasília)
 
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Líderes da Caxemira pedem abertura de fronteira
 
Sobreviventes do terremoto na cidade de Muzaffarabad
Sobreviventes do terremoto na cidade de Muzaffarabad
O líder da área da Caxemira administrada pelo Paquistão pediu a abertura da fronteira com a área administrada pela Índia para ajudar nas operações de ajuda aos sobreviventes do terremoto.

Sardar Sikandar Hayat Khan disse à BBC que o governo paquistanês deve superar todas as reservas a respeito da abertura da fronteira.

A líder do partido do governo, o PDP, na área da Caxemira administrada pela Índia, Mehbooba Mufti, disse que vai tentar persuadir o governo indiano a fazer o mesmo.

A região da Caxemira é disputada pela Índia e Paquistão e os dois países já entraram em conflito duas vezes pela área.

Mortos

O governo do Paquistão anunciou acreditar que subiu para 38 mil o número de mortos por causa do terremoto que atingiu o país exatamente uma semana atrás.

Trata-se de uma diferença de mais de 13 mil mortes em relação à última estimativa, o que o governo atribui à quantidade de corpos que continuam a ser encontrados entre os escombros.

O número oficial de feridos também aumentou, ultrapassando os 60 mil. Acredita-se que pelo menos 1,4 mil pessoas morreram na região da Caxemira administrada pela Índia.

O líder da área da Caxemira administrada pelo Paquistão, Sardar Sikandar Hayat Khan, disse à BBC que os paquistaneses não conseguem alcançar muitas áreas próximas à linha de controle, que divide a Caxemira. E também existem áreas que não são acessíveis à Índia.

"Então, se as fronteiras forem abertas seria bom para os cidadãos dos dois lados. Isto também vai se somar no relacionamento entre os dois países", disse.

O presidente do paquistão, Pervez Musharraf, elogiou a oferta de ajuda do governo da Índia para áreas ao longo da linha de controle, mas recusou a oferta afirmando que "há sensibilidades envolvidas".

A líder do partido do governo, o PDP, na área da Caxemira administrada pela Índia, Mehbooba Mufti, afirmou que centenas de vidas poderiam ter sido salvas depois do terremoto, se o presidente Musharraf tivesse aceitado a oferta de ajuda do primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.

"Mas não podemos culpar ninguém na atual situação. Se o Paquistão tivesse feito uma oferta semelhante, não posso afirmar com confiança que teríamos aceitado", disse.

Ela sugeriu que a Índia poderia adotar alguns vilarejos do lado paquistanês da Caxemira e o Paquistão poderia fazer o mesmo para ajudar na reconstrução.

Mau tempo

Nas regiões mais atingidas, ventos fortes e temporais estão atrapalhando os trabalhos de resgate e assistência às vítimas. Helicópteros que usados nas operações de ajuda retomaram os vôos depois de passarem a manhã impedidos de transitar.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) disse que o risco de morte para as crianças é alto, por causa da combinação de frio, fome e doenças.

Outra organização de assistência humanitária, a Save the Children, afirmou que já há relatos de crianças que sucumbiram à falta de abrigo.

O mau tempo também é preocupante para os demais desabrigados. A organização britânica Oxfam disse que cidades das áreas mais remotas ainda estão à espera de milhares de barracas e cobertores, mas as estradas estão intransitáveis.

Sobrevivente

Na sexta-feira, um bebê de 18 meses foi retirado com vida dos escombros no vilarejo de Balimang, na província da Fronteira Noroeste.

A equipe que resgatou a menina tinha caminhado 11 quilômetos até a cidade, que está isolada.

Moradores indicaram um local em que ainda poderia haver sobreviventes.

O grupo de assistência encontrou ali quatro corpos, além do bebê.

Perto do local também foram achados os corpos da mãe e de dois irmãos da menina. O pai, Mohammed Azfal, sobreviveu à tragédia.

Nos dois lados da fronteira, fiéis se reuniram neste sábado para rezar pelas vítimas da catástrofe.

O chefe da agência de assistência humanitária da ONU, Jan Egeland, disse que serão necessários "bilhões de dólares" para suprir as necessidades da região.

Até agora, apenas US$ 50 milhões foram oferecidos pela comunidade internacional.



 
 
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