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Atualizado às: 24 de junho, 2006 - 08h01 GMT (05h01 Brasília)
 
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Colômbia vê proposta das Farc com cautela
 
Álvaro Uribe durante parada militar
Grupo guerrilheiro se recusava a negociar com governo de Uribe
O vice-presidente colombiano, Francisco Santos, disse que o governo analisará com cautela as declarações das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) sobre um possível acordo de paz.

Na quinta-feira, em uma entrevista ao canal de televisão Telesur, o porta-voz do maior grupo guerrilheiro da Colômbia, Raúl Reyes, disse que "interessa às Farc um acordo humanitário", acrescentando haver toda a disponibilidade e vontade política para isso por parte da guerrilha.

O grupo também se disse preparado para trocar 60 reféns das Farc por cerca de 500 prisioneiros, integrantes das Farc.

As declarações de Reyes provacaram surpresa, uma vez que as Farc haviam anunciado, antes da reeleição de Álvaro Uribe, que não negociariam com o governo, enquanto Uribe fosse presidente.

"Parece uma mudança importante. Nós estamos prontos para negociar, mas faremos isso com prudência", disse Santos, acrescentando que os contatos com a guerrilha ficarão a cargo do Alto Comissário para Paz, Luis Carlos Restrepo.

Condições

As possíveis negociações não estão isentas de condições.

O porta-voz das Farc disse, na entrevista, que o grupo voltaria a negociar assim que o governo desmilitarizasse duas regiões do país – Caquetá e Putumayo – e suspendesse, temporariamente, as ordens de prisão contra os principais líderes guerrilheiros.

"As Farc não aceitarão negociações com esse governo, enquanto não houver zonas desmilitarizadas", disse Reyes.

Um porta-voz do governo disse à agência de notícias Reuters, no entanto, que a oposição do governo à desmilitarização de zonas no país não mudou, o que poderia impedir o início dessas negociações.

Linha dura

Durante a campanha, Uribe disse estar decidido "a tudo" para acabar com as ações dos grupos armados, mas que, se eles insistirem com o terrorismo, enfrentarão "toda a firmeza da autoridade".

Após ter sido eleito, em maio, o presidente pediu que o Congresso aprove medidas propostas pelo governo para intensificar as ações contra grupos armados.

Entre as medidas do programa de segurança do governo, estão: recompensa para os soldados que capturarem guerrilheiros, recompensa para os que denunciarem integrantes da guerrilha e redução da pena para os que se entregarem.

O pai de Uribe morreu em 1982, segundo a imprensa colombiana, num atentado das Farc, que atuam no país há mais de 40 anos.

O segundo maior grupo armado da Colômbia, o Exército de Libertação Nacional (ELN) está atualmente negociando um acordo de paz com o governo.

 
 
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