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16 de agosto, 2006 - 22h01 GMT (19h01 Brasília)

Colômbia prende sete comandantes paramilitares

A polícia colombiana prendeu nesta quarta-feira pelo menos sete líderes das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), numa medida que o presidente Álvaro Uribe diz ter o objetivo de restabelecer a credibilidade do processo de paz com o principal grupo paramilitar do país.

Alguns líderes, como Salvatore Mancuso, apresentaram-se voluntariamente à polícia. "São os compromisos que adquiri com o governo e agora os cumpro. Por isso estou me apresentando", disse Mancuso.

O presidente colombiano disse na semana passada que os paramilitares deveriam se apresentar às autoridades ou perder as condições favoráveis garantidas pelo processo de paz lançado em 2003.

Segundo Uribe - que acaba de iniciar o seu segundo mandato -, não há razão para as negociações não continuarem com os paramilitares detidos.

O processo de paz das AUC com o governo colombiano entrou em crise depois que a Corte Constitucional do país ordenou a redução dos benefícios jurídicos que eles receberiam em troca da desmobilização. Por causa disso, os paramilitares vinham se recusando a se entregar.

Pressão

Dezenas de milhares de paramilitares foram desarmados desde 2003 como parte do processo de paz, mas Uribe tem sofrido pressão da população colombiana para ser mais duro com o grupo depois da descoberta de valas comuns de vítimas dos paramilitares.

Uribe também tem sofrido pressão do governo americano, que dá à Colômbia uma ajuda financeira de US$ 600 milhões por ano, para extraditar líderes os paramilitares.

O presidente tem dito, porém, que vai honrar a promessa de não extraditar os paramilitares se eles cumprirem os termos do acordo.

O correspondente da BBC em Medellín Jeremy McDermott diz que a questão agora é saber se o alto comando das AUC vai acatar a decisão do governo ou se os membros do grupo ainda livres vão voltar a atuar contra o governo.