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05 de setembro, 2006 - 17h16 GMT (14h16 Brasília)

Paquistão faz acordo de paz com membros do Talebã

O Paquistão assinou um acordo com militantes pró-Talebã na fronteira com o Afeganistão que visa encerrar anos de conflitos na região.

O chamado Acordo do Waziristão do Norte (uma região paquistanesa na fronteira) pede que integrantes de tribos da região expulsem militantes estrangeiros e encerrem os ataques na fronteira. Em troca é oferecida uma redução na presença militar.

Dezenas de milhares de soldados paquistaneses estão combatendo militantes islâmicos estrangeiros e seus partidários locais na área tribal do país.

Apenas em 2006 centenas de pessoas foram mortas em confrontos no Waziristão do Norte.

Em 2005 dezenas de soldados foram mortos na mesma região e o apoio local ao Talebã parece ter aumentado, segundo correspondentes.

Conselho

O acordo foi aprovado por um grande conselho (jirga) de representantes tribais no norte do Waziristão e é o primeiro deste tipo desde que os soldados do Paquistão começaram a procurar por membros do Talebã e da Al-Qaeda na fronteira com o Afeganistão.

Importantes oficiais do Exército comemoraram depois de assinar o acordo em um campo de futebol de um colégio em Miranshah, a principal cidade da região.

Detalhes do acordo foram dados em um rápido discurso de um parlamentar local, Haji Nek Zaman, membro do conselho tribal que foi autorizado a negociar em nome do governo paquistanês.

Segundo o acordo os militares paquistaneses prometem encerrar as grandes operações na área, levar seus soldados de volta para campos militares mas ainda vai operar em postos de fiscalização na fronteira.

O Exército já havia atendido outras condições, libertando vários integrantes de tribos em um aparente gesto de boa vontade em relação aos militantes e retirando soldados de novos postos de fiscalização.

Partidários locais do Talebã, por sua vez, prometeram não mais abrigar militantes estrangeiros, lançar ataques pela fronteira ou atacar instalações ou soldados do governo paquistanês.

Observadores afirmam que será difícil atender a estas condições, pois o Talebã conta com apoio dos dois lados da fronteira entre Afeganistão e Paquistão.

Mortes

Um porta-voz da Otan disse nesta terça-feira que mais de 50 milicianos do Talebã foram mortos em confrontos com tropas da organização no sul afegão.

O porta-voz disse que a estimativa é baseada em informações dadas pelos próprios soldados da Otan que participaram da ofensiva.

Os combates coincidem com a visita ao Afeganistão do secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, que está avaliando os esforços da organização para estabilizar a região, um conhecido reduto do Talebã.

A Otan havia afirmado que duzentos militantes morreram que em combates também no sul do Afeganistão durante o fim de semana - mas o Talebã nega o fato, dizendo que muitos dos mortos eram civis.