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02 de fevereiro, 2007 - 05h03 GMT (03h03 Brasília)

Segurança é reforçada para apresentação de plano para Kosovo

Forças de paz internacionais em Kosovo reforçaram a segurança às vésperas da apresentação de um plano da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta sexta-feira, que vai definir o status final da província.

O plano será apresentado pelo enviado especial da ONU, o ex-presidente finlandês Martti Ahtisaari, aos líderes albaneses e sérvios de Kosovo.

Haverá uma apresentação em Belgrado e outra em Pristina.

A região ainda é considerada uma província sérvia e é administrada pela ONU desde 1999, quando uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) reprimiu uma operação sérvia contra separatistas albaneses.

Independência

Segundo um correspondente da BBC em Kosovo, apesar de o plano não recomendar a independência total reivindicada pela população de etnia albanesa - que representa 90% dos 2 milhões de habitantes -, esta está implícita.

O relatório a ser apresentado deverá recomendar que Kosovo tenha seus próprios símbolos nacionais, como bandeira e hino, forças armadas e direito de representação em organizações internacionais, como a ONU.

Segundo um diplomata ouvido pela BBC, que não quis ser identificado, o plano de Ahtisaari fala em "independência sujeita a supervisão internacional".

Não seria, no entanto, uma independência incondicional.

Um "representante da comunidade internacional" seria designado, com poder de intervir caso Kosovo tente ir além do que é permitido pelo plano.

Tropas da Otan e da União Européia permaneceriam em funções militares e de policiamento.

O relatório determina ainda que Kosovo não pode ser repartido em áreas sérvias e albanesas, nem unir-se a qualquer outro Estado - o que implicitamente descarta uma "expansão" da Albânia.

"Interesses sérvios"

Os interesse dos sérvios que vivem em Kosovo, inclusive os da Igreja Ortodoxa Sérvia, são protegidos pelo plano, que garante representação sérvia no Parlamento, na polícia e no serviço público.

A Sérvia deverá apresentar resistência às propostas de maior independência de Kosovo, já que considera a região o berço de sua cultura e se opõe a qualquer movimento em direção à independência da província.

A Sérvia tem o apoio da Rússia, que poderia se opor ao plano no Conselho de Segurança da ONU.

É o Conselho de Segurança que vai dar a palavra final sobre a adoção ou não do plano.

As negociações para determinar o status final de Kosovo vêm sendo realizadas há anos sem que os dois lados cheguem a um consenso.