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20 de fevereiro, 2007 - 02h56 GMT (00h56 Brasília)

Ex-refém das Farc é nomeado ministro na Colômbia

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, nomeou nesta segunda-feira Fernando Araújo Perdomo como novo ministro de Relações Exteriores do país.

O anúncio da nomeação ocorreu horas depois da renúncia da titular da pasta, María Consuelo Araújo (que não tem parentesco com o novo ministro), em meio a denúncias de que seu irmão e seu pai teriam ligações com grupos paramilitares de extrema direita.

Em janeiro, Fernando Araújo, que é ex-ministro de Desenvolvimento da Colômbia, ganhou as manchetes ao conseguir escapar das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), principal grupo guerrilheiro do país, que o mantinha em cativeiro havia mais de seis anos.

Ao anunciar a nomeação, Uribe afirmou que o novo ministro sofreu "na própria carne a tragédia nacional" que o governo está empenhado em superar.

"Credenciais"

Segundo o correspondente da BBC na Colômbia, Jeremy McDermott, as credenciais de Fernando Araújo como vítima do conflito civil do país poderão ajudar a reafirmar aos aliados da Colômbia que o governo está comprometido em acabar com o conflito, apesar da crise recente.

Fernando Araújo foi ministro de Desenvolvimento no início do governo de Andrés Pastrana (1998-2002).

Em dezembro de 2000, ele foi capturado pelas Farc em Cartagena, sua cidade natal. Ele era um dos 59 reféns de alto escalão mantidos pelo grupo.

No último dia 7 de janeiro, Fernando Araújo escapou durante uma operação militar.

Escândalo

A renúncia de María Consuelo Araújo, que exerceu o cargo por apenas seis meses, foi vista como um fracasso para o presidente Uribe, em meio a um escândalo crescente por supostos vínculos entre seus aliados no poder legislativo e grupos paramilitares de extrema direita.

"A certeza da inocência do meu pai e do meu irmão me obriga a sair para ter a liberdade de estar ao lado deles e apoiá-los como filha e como irmã", disse a ex-ministra, lendo a carta de renúncia, durante uma entrevista coletiva convocada de última hora.

Seu irmão, o senador Álvaro Araújo, foi preso na quinta-feira - junto com outros sete parlamentares - depois de ser acusado de ligações com o grupo Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), que mantém negociações com o governo como parte do processo de paz no país.

As prisões fazem parte de uma campanha da Corte Suprema de Justiça contra políticos ligados aos paramilitares.

O pai da ex-chanceler, Álvaro Araújo Noguera, é investigado pela mesma razão.

Outros aliados de Uribe no Congresso já foram acusados de vínculos com esses grupos, em um escândalo que a imprensa colombiana já chama de "parapolítica".

Os grupos armados de extrema direita são acusados de tráfico de drogas e massacres.

O presidente colombiano fez do desarmamento dos grupos paramilitares uma das prioridades de seu governo.