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19 de maio, 2007 - 03h14 GMT (00h14 Brasília)

Uribe promete resgatar Ingrid Betancourt

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, ordenou o Exército de seu país a aumentar os esforços para resgatar a ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt, seqüestrada por rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em fevereiro de 2002, durante sua campanha eleitoral.

"Generais, nós vamos resgatar Ingrid Betancourt!", disse o presidente colombiano em uma cerimônia militar.

Uribe prometeu libertar a ex-candidata à Presidência e outros reféns depois que um prisioneiro das Farc, o policial Jhon Frank Pinchao, escapou do cativeiro e disse que era mantido no mesmo campo onde estavam Betancourt e três americanos (capturados em 2003).

Pinchao, que era mantido refém havia mais de oito anos, conseguiu fugir do cativeiro e passou 17 dias perdido na selva até ser encontrado por soldados na última quarta-feira.

O policial relatou as difíceis condições em que os seqüestrados são mantidos e disse que Betancourt tentou fugir inúmeras vezes, nas quais foi "severamente punida".

Uribe disse que os relatos de Pinchao "mostram que os campos de concentração das Farc são mais cruéis que os campos de concentração nazistas".

Oposição das famílias

Na quinta-feira, depois de ouvir os relatos de Pinchao, Uribe conversou por telefone com o novo presidente da França, Nicolas Sarkozy. Betancourt tem dupla cidadania, colombiana e francesa.

No entanto, Sarkozy teria preferência por uma solução negociada para a libertação da refém.

"(Uma operação militar) pode colocar as vidas dos reféns em perigo", disse um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da França.

Nesta sexta-feira, os filhos de Betancourt se encontraram com Sarkozy. Sua filha, Melanie, disse que as declarações de Uribe eram simplesmente "um show para a mídia".

"Se você quiser libertar alguém à força, vai anunciar para o mundo inteiro?", disse Melanie. "A primeira coisa que eles vão fazer será executar seus reféns."

Diversos familiares de reféns, entre eles a mãe e o marido de Betancourt, pediram que as Forças Armadas não tentem uma operação de resgate, temendo que possa terminar em mortes.

"Não imaginei que o presidente, depois da conversa que teve com o presidente Sarkozy e de todas as súplicas que temos feito, insista em colocar em perigo a vida de minha filha com uma operação militar", disse a mãe de Betancourt, Yolanda Pulencio. "A força militar significa a morte para Ingrid e para todos os que estão com ela."

Troca de prisioneiros

No hospital onde está se recuperando, Pinchao encontrou-se com familiares de alguns reféns, entre eles o marido de Betancourt, Juan Carlos Lecompte.

Lecompte relatou à agência de notícias Associated Press que, segundo Pinchao, a ex-candidata era acorrentada pelo pescoço todas as noites, para que não tentasse fugir.

"Ela está sendo tratada como um animal", dsse Lecompte. "Os guerrilheiros mentem quando dizem que estão tratando mulheres e prisioneiros de maneira humana."

Betancourt e os três americanos fazem parte de um grupo de 56 reféns que as Farc pretendem trocar por cerca de 500 guerrilheiros presos na Colômbia.

Na quinta-feira, as Farc rejeitaram uma proposta de Uribe de libertar todos os rebeldes presos em troca de todos os reféns mantidos pelo grupo.

Os rebeldes exigem como condição uma zona desmilitarizada em dois municípios colombianos.