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28 de fevereiro, 2000 Publicado às 17h30 GMT

Kosovo: o que aconteceu com a paz?
Soldados americanos patrulham parte sérvia de Mitrovica

Por Emma Batha, da BBC News Online

Durante três meses, no ano passado, a Otan realizou a maior operação militar de sua história para colocar um fim à opressão sérvia contra a maioria da população de Kosovo, composta por albaneses étnicos.

Após uma ofensiva de 78 dias, o presidente iuguslavo, Slobodan Milosevic, concordou, no dia 10 de junho, em retirar 40 mil soldados sérvios e iuguslavos da província, abrindo o caminho para a força de paz internacional.

O longo e difícil processo de restaurar a paz naproblemática província já mostrou alguns resultados positivos, mas também sofreu muitos revezes.

Refugiados

Uma das primeiras tarefas da força multinacional de paz, a K-For, liderada pela Otan, foi supervisionar o retorno dos refugiados de origem albanesa a Kosovo.

Durante a crise, mais de 800 mil pessoas fugiram da província, levando na fuga relatos de massacres, atrocidades e expulsões forçadas comandadas pelas forças sérvias.

Eles foram abrigados em campos de refugiados nas repúblicas vizinhas, com recursos extremamente limitados para lidar com o tamanho da situação.

Sérvios queimaram casas de albaneses

Quase todos os refugiados já retornaram às suas casas.

Mas, com a sua chegada, no verão passado, dezenas de milhares de kosovares sérvios deixaram a província, com medo de ataques de retaliação.

Os poucos que permaneceram são alvos frequentes de ataques e muitos pediram proteção da força de paz.

Mitrovica

O principal foco de conflitos é a cidade de Mitrovica, ao norte da província.

Os sérvios dominam a parte norte da cidade, enquanto o sul, cruzando o rio Ibar, é dominado por uma população de albaneses étnicos.

Mitrovica é tida como um teste crucial para a capacidade de a comunidade internacional criar condições para dois grupos viverem lado a lado.

Desmilitarização

Outra prioridade nos primeiros meses após a retirada sérvia da província foi o desarmamento do Exército de Libertação de Kosovo, o ELK.

O ELK se desmantelou em setembro de 1999, sendo transformado em uma força de defesa civil de 3.000 homens, chamada Corporação de Proteção de Kosovo, ou TMK, usando as iniciais em albanês.

O ELK foi desmantelado

A ONU insiste que as funções da TMK são restritas a ações de emergência e trabalho humanitário.

Mas ex-membros do ELK consideram a TMK como um núcleo para um exército nacional de um Kosovo independente.

Nenhum sérvio foi recrutado para a corporação.

Outras figuras do ELK foram nesse período incoporadas em um novo partido político, e o ex-líder político do ELK, Hashim Thaci, juntou-se ao conselho de Kosovo, liderado pela ONU.

Reconstrução

As operações militares érvias e o bombardeio da Otan destruíram milhares de construções em Kosovo.

A comunidade internacional pediu US$ 2,1 bilhões para a reconstrução, que deverá ter início a partir da primavera.

Inicialmente, os reparos de emergência serão destinados a restaurar o sistema básico de comunicação e utilidades e assegurar que cada família tenha um cômodo habitável antes do inverno.

Mas os EUA dizem que os trabalhos têm sido afetados por causa quemuitos governos que prometeram dinheiro ainda não cumpriram com a promessa.

Sistema legal

Kosovo deveria receber supostamente cinco mil integrantes de uma polícia internacional para reestabelecer a lei e a ordem.

Mas quase nove meses depois, há menos de 2.000 homens cumprindo esse papel na província.

Isso significa que a K-For, que tem 40 mil homens em Kosovo, teve de assumir o policiamento do território, o que não estava nos seus planos.

Há confusão em praticamente tudo em Kosovo, do código legal aos direitos de propriedade, não há um poder judiciário funcionando propriamente no território e o crime anda à solta.

A maioria absoluta de suspeitos criminais são soltos logo após a prisão e, em seguida, desaparecem.

A reconstrução vai custar milhões

A maioria dos crimes está relacionada à violência étnica, mas há acusações de preconceito, na medida em que a polícia teria relutado em prender albaneses étnicos e os juízes não estariam dispostos a colocá-los atrás das grades.

Investigadores internacionais descobriram até agora os restos de 2.100 corpos em 190 valas coletivas, que datam da época do conflito.

A escavação de mais 300 locais suspeitos de conterem cadáveres deverá terminar na primavera.

A evidência poderá ser utilizada para incriminar Slobodan Milosevic e outros que foram indiciados por crimes de guerra em Kosovo.

Eleição

O administrador-chefe das Nações Unidas em Kosovo, Bernard Kouchner, estabeleceu um conselho administrativo com quatro representantes da ONU e quatro representantes locais, um dos quais supostamente é sérvio.

Mas os sérvios boicotaram o conselho e estão se recusando em tomar parte nos ministérios que estão sendo estabelecidos.

Uma data provisória para eleições locais foi marcada para setembro, mas as preparações estão bastante atrasadas.

Há o problema adicional que muitos albaneses étnicos não têm prova de identidade, porque os sérvios confiscaram seus documentos.

Funcionários da ONU também querem persuadir os sérvios que fugiram da província a retornar e participar do processo de reconstrução.

No momento, as Nações Unidas se preparam para eleições municipais, mas isso irritou os albaneses, que querem eleições parlamentares, que são vistas como um passo para a independência.

Violência

A guerra aconteceu com o objetivo de se construir uma Kosovo multiétnica.

Mas como mostra a violência em Mitrovica, há ainda muito ódio entre sérvios e albaneses étnicos.

Centenas de pessoas foram mortas na província desde junho, em tiroteios e bombardeios.

O expert regional Misha Glenny diz acreditar que a antipatia entre os dois grupos é mais profunda do que entre qualquer outra comunidade nos Bálcãs.

A força de paz tem função de polícia

O comandante da K-For, general Klaus Reinhardt, diz que há pouco a fazer para parar a violência étnicaem uma terra em que as armas são abundantes e as fronteiras são porosas.

Alguns analistas temem que quando os albaneses de Kosovo perceberem que a ONU não está prestes a selar a independência do território, eles irão mirar seu poder de fogo em direção à força de paz.

Isso já aconteceu em Mitrovica, onde soldados norte-americanos foram atacados com pedras em uma recente busca de armas ilegais, e dois soldados franceses foram feridos em uma luta armada de duas horas em 13 de fevereiro.

Um atirador albanês foi morto quando as tropas francesas devolveram fogo.

A Otan ganhou a guerra em junho passado, mas está longe de ter ganho a paz no território.

 


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