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Atualizado às: 28 de setembro, 2004 - 10h00 GMT (07h00 Brasília)
 
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O caminho de Sérgio
 
Depois de uma reunião com o diplomata Sérgio Vieira de Mello, o chefe da delegação americana comentou que, todas as vezes que encontrava o brasileiro, ele saía se sentindo mal vestido e mal informado.

Esta é uma das saborosas histórias de um documentário sobre um dos mais finos, bonitos, cultos e eficientes diplomatas brasileiros, que chegou ao segundo escalão da ONU e tinha chances de ser o futuro secretário-geral.

A jornalista e documentarista Simone Duarte deu a volta ao mundo para fazer este documentário sobre um brasileiro que era mal conhecido no Brasil.

Sérgio Vieira de Mello morava em Nova York, mas não parava na cidade nem fazia o circuito dos coquetéis diplomáticos. Só o víamos pela televisão.

Ele apagou incêndios em Bangladesh, Chipre, Peru, Moçambique, Líbano, Sudão e outros países da África, Camboja, Vietnã e Timor Leste, antes de chegar a Bagdá para morrer.

Era o homem de confiança do secretário-geral Kofi Annan e dos americanos, mas bateu de frente com Paul Bremer, o xeque americano em Bagdá.

Sérgio Vieira de Mello disse aos amigos que não queria ser um "Bremello", um capacho de Bremer, mas não viveu o suficiente para brigar ou ficar amigo do americano.

Simone Duarte trabalhou 13 anos na Rede Globo como jornalista antes fazer documentários. O primeiro deles foi sobre as Avós da Praça de Maio.

Neste, sobre Sérgio Vieira de Mello, Simone foi até a Coréia do Norte entrevistar o rei Sihanuk, do Camboja, sobre a participação do brasileiro no retorno dos camboianos que tinham fugido do terror do Khmer Vermelho. Setenta mil voltaram confiando na palavra de Sérgio.

Simone foi a primeira jornalista brasileira a entrar na Coréia do Norte, e o depoimento de Sihanuk é mais uma declaração de amor ao diplomata brasileiro.

Se o documentário dela tem um defeito é o de não encontrar nenhum inimigo de Sérgio Vieira de Mello.

A única crítica é que ele era impaciente e às vezes atropelava a burocracia.

O próprio Sérgio dizia que tinha muitos defeitos, mas nem as mulheres seduzidas e abandonadas por ele deram queixa.

Quando o documentário termina, surge uma pergunta irresistível que jamais terá resposta: será que com Sérgio o Iraque estaria funcionando?

 
 
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