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Atualizado às: 28 de outubro, 2004 - 14h21 GMT (11h21 Brasília)
 
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Expansão da China pode salvar língua portuguesa em Macau
 

 
 
Herança portuguesa na arquitetura de Macau
Muitos previam o desaparecimento do português de Macau
A expansão econômica da China e o interesse nos países de língua portuguesa podem estar livrando o português da extinção em Macau, cidade do sul do país que voltou ao domínio chinês em 1999 depois de 450 anos de colonização portuguesa.

Na época, muitos acreditavam que a entrada do chinês e também do inglês chegaria a provocar o desaparecimento do português, que é uma das línguas oficias, mas é falado por menos de 10% dos cerca de 400 mil habitantes.

Mas, apesar de uma queda na procura por cursos de português no ano 2000, as diversas escolas que ensinam a língua já passaram a registrar um retorno do interesse pelos cursos a partir de 2001 e, mais acentuadamente, a partir de 2002.

O Instituto Português do Oriente (Ipor) exemplo, que, em 2000, tinha apenas 200 alunos, agora conta com cerca de mil.

Mesma tendência se verifica na Escola Superior de Línguas e Tradução do Instituto Politécnico de Macau, que em 2000 chegou a admitir apenas 12 novos estudantes e, em 2003, atraiu 50 novos alunos.

"Nós temos a consciência nítida de que isso se deve ao crescimento da China, à abertura dos mercados, ao estabelecimento das prioridades nas relações externas da China que passam pelos países de língua portuguesa", afirma Antonio Saldenha, do Ipor.

Saldenha cita como exemplo desse incentivo o estabelecimento, no ano passado, do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, com sede em Macau.

O fórum ajudou a organizar, na semana passada (21 a 24 de outubro), a 9º Feira Internacional de Macau. Segundo uma pesquisa realizada pelos organizadores da feira, 77% dos participantes disseram acreditar que Macau pode servir como uma plataforma de negócios entre a China e os países da língua portuguesa.

Plataforma

"A China está com um grande desenvolvimento econômico e com olhos para cooperação com os países em desenvolvimento da África, com o Brasil e também com Portugal, como porta de entrada na União Européia", afirma o vice-reitor da Universidade de Macau, Rui Martins.

"Então, esses alunos vêem nisso uma série de oportunidades de trabalho", completa Martins.

A universidade, que em 1999 tinha cerca de 700 alunos aprendendo o português dentro das diversas áreas de especialização, agora tem cerca de 1,5 mil.

Martins lembra que a Universidade chegou a prever que o curso de Direito oferecido em português iria acabar ficando sem alunos, mas isso não aconteceu.

Parte dessa volta do interesse pelo português em Macau, segundo Martins, se deve à chegada de estudantes de outras partes da China à cidade.

Em 1999, cerca de 200 estudantes chegaram para aprender português em Macau. Atualmente, existem cerca de mil. A maioria já fala o inglês e, por isso, passam a optar pelo português como língua estrangeira.

Macau
Número de estudantes de português tem aumentado

Chineses

É o caso de Pangfei Shan, estudante da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, que está realizando um intercâmbio em Macau.

"O fato de a China e também o Brasil estarem se desenvolvendo tão rapidamente oferece novas oportunidades", afirma Shan.

Wang Xinta, da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, é um outro exemplo.

Ele conta já ter uma oferta de emprego para integrar o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China depois que terminar a sua especialização em Macau.

"Começamos a nossa carreira como intérprete e tradutor e depois alguns acabam se transferindo para outros domínios profissionais", afirma o estudante.

Ponto de referência

Mas o interesse pelo português não tem aumentado apenas entre os estudantes de outras cidades da China.

Choi Wai Hao, diretor da Escola Superior de Línguas e Tradução do IPM, afirma que, dos 95 alunos que iniciaram o curso de tradução em setembro deste ano, 37 são macaenses (descendentes de portugueses), 30 são chineses locais e 28 são de outras cidades chinesas.

Choi lembra que o setor jurídico em Macau é, em grande parte, dominado pelo português.

"Macau é uma cidade única em comparação com outras cidades chinesas, por causa de seu passado histórico de ligação com Portugal. É o ponto de encontro entre a cultura chinesa e a ocidental", afirma Choi.

"E eu acho que o governo chinês percebeu o valor de Macau", completa.

Antonio Saldenha, do Ipor, afirma que, apesar de existir pontos de ensino do português em outras cidades chinesas, como Pequim, Xangai, Cantão e Xiamen, as atividades estão mais concentradas em Macau.

"Há também uma decisão do governo chinês de estar concentrando esse processo de incentivo ao aprendizado do português em Macau, obviamente pela maior facilidade que temos aqui", diz Saldenha.

Segundo Saldenha, não há números exatos de quantas pessoas falam o português hoje em Macau.

"Nós sabemos que existem cerca de 2 mil portugueses e cerca de 20 mil macaenses de origem portuguesa que, com certeza, falam a língua", afirma.

"Agora, existe um fator indeterminado que é o número de chineses que têm conhecimento da língua. Então, o total não deve chegar a 10% dos moradores", afirma.

É difícil prever se esse percentual irá aumentar consideravelmente, mas o medo de que o português desapareça de Macau já não existe mais.

 
 
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