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Atualizado às: 09 de novembro, 2004 - 22h54 GMT (19h54 Brasília)
 
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De sua janela em Falluja, repórter conta: 'Estão atirando em tudo que se move'
 
morto em Falluja
Iraquiano enterra irmão morto em Falluja
O repórter do Serviço Mundial da BBC em árabe, Fadhil Badrani, está em Falluja, e relatou, por telefone, a luta desesperada entre americanos e combatentes nas ruas.

Segundo ele, os insurgentes na cidade estão cansados, mas com boa disposição.

No entanto, Badrani disse que os soldados americanos parecem estar tentando controlar as principais vias de Falluja.

A seguir, o relato do que Badrani está vendo da janela de sua casa.

Guerra na rua

"Estou envolvido por uma fumaça densa e preta e pelo cheiro de óleo queimado.

Houve uma enorme explosão há poucos minutos.

combatentes em Falluja
Combatentes locais estariam recebendo reforços

Um veículo americano blindado está estacionado na rua, em frente a minha casa, no centro da cidade.

Da janela, posso ver soldados americanos se movimentando a pé.

Eles tentaram ir de casa em casa, mas continuaram sob fogo dos insurgentes.

Agora, eles estão atirando nas casas, em qualquer coisa que se move. É a guerra nas ruas.

Estou sentado aqui sozinho, olhando a tragédia tomar conta de minha cidade.

Parece Cabul

Estive anteriormente com alguns dos combatentes de Falluja. Eles pareciam cansados, mas seu moral está alto, e eles estavam cantando.

Recentemente, muitos iraquianos de outras partes do país vêm se juntando aos combatentes locais contra os americanos.

É claro que ninguém dormiu muito nos últimos dois dias de luta dura, ainda é Ramadã, então ninguém come durante o dia.

Não posso dizer quantas pessoas foram mortas, mas depois de dois dias de bombardeio, a cidade parece Cabul.

Grandes áreas foram destruídas, mas é tão perigoso sair de casa que não consegui descobrir mais sobre vítimas.

Mesquitas caladas

Uma enfermaria no centro da cidade foi bombardeada.

Não sei o que aconteceu com os médicos e os pacientes que estavam lá.

Era o último local onde se poderia ter tratamento médico, porque o hospital grande nos arredores de Falluja já havia sido capturado pelos americanos.

Muitas mesquitas também foram bombardeadas.

Pela primeira vez em Falluja, uma cidade com 150 mesquitas, não ouvi uma única chamada para rezar esta manhã.

Quebrei meu jejum de Ramadã na segunda com nossos últimos alimentos, duas batatas e dois tomates.

Os tomates estavam podres, porque não temos eletricidade para manter a geladeira.

Meus vizinhos, uma mulher e seus filhos, vieram me ver na segunda. Eles me pediram para contar ao mundo o que está acontecendo aqui.

Eu olho para a devastação ao meu redor e pergunto: Por quê?"

 
 
Soldado americanoNovas imagens
Soldados dos EUA durante operação em Falluja; veja fotos.
 
 
Em vídeo
Imagens da tomada de um hospital em Falluja.
 
 
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