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27 de janeiro, 2005 - 12h32 GMT (10h32 Brasília)

Niuiok, Niuiok

Em Nova York, menos crime, menos lixo, mais empregos, mais dinheiro e mais, muito mais, analfabetos. Nas duas línguas, na materna e em inglês.

E o número está aumentando. Só na década de 90 cresceu 30%. Agora são 1,5 milhão de residentes, 20% da população, na maioria latinos, que não falam inglês. Mal conseguem falar o nome da cidade.

No começo do século 20, Nova York recebeu milhares de imigrantes do sul e do leste europeu falando diferentes línguas, mas a diversidade atual é muito maior. Entre 175 e 200 idiomas são falados na cidade.

Dos que não falam inglês, 51% falam espanhol em casa, 13% falam chinês, 8% russo, e 28% falam outras línguas.

Português não chega nem a 0,5%. Como Nova York não tem imigrantes portugueses, o baixo número é uma indicação de que a população brasileira, legal e ilegal, é menor do que dizem ou foi mal contada.

A cidade oferece 183 centros de alfabetização em inglês, mas não são suficientes nem para 5% dos iletrados. E quando não se fala bem a materna, é muito mais difícil aprender outra língua depois de adulto.

A mineira Marina não só aprendeu a falar, como a navegar pela burocracia da cidade e foi muito mais longe. Na biblioteca pública, ela descobriu que a cidade oferece um teste vocacional.

No caso dela, uma das aptidões foi para fisioterapia infantil, uma área com carência de profissionais em Nova York.

A cidade ofereceu a Marina um curso de graça numa universidade particular. Em troca, ela teria de trabalhar dois anos num emprego municipal com salário e benefícios.

Marina cumpriu a obrigação dela com a cidade e depois foi trabalhar em um hospital ganhando melhor. Este mês ela deu o salto capitalista e ingressou na sociedade de proprietários. Abriu sua própria clínica.