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Atualizado às: 04 de fevereiro, 2005 - 17h51 GMT (15h51 Brasília)
 
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Madagascar proíbe Igreja Universal e expulsa pastores
 

 
 
Crenças tradicionais, cristianismo e islamismo dividem fiéis na ilha
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A Justiça de Madagascar, no sudeste da África, proibiu as atividades da Igreja Universal do Reino de Deus e determinou a expulsão dos pastores da instituição do país.

A decisão foi tomada seis meses após um polêmico episódio envolvendo a suposta queima de bíblias e de outros objetos religiosos durante um culto.

Representantes da Universal em Madagascar, que conta com 11 igrejas e cerca de 5 mil fiéis, recorreram da sentença e aguardam a decisão do Supremo Tribunal do país.

Segundo o bispo Renato Cardoso, responsável pela coordenação das atividades da igreja na África, a decisão foi tomada porque a Igreja está registrada no país como sociedade internacional e não como uma sociedade religiosa.

"Nunca fomos alvos de tanta arbitrariedade", disse à BBC Brasil o bispo Renato Cardoso, que coordena de Londres as atividades da igreja nos mais de 20 países da África onde a Universal atua.

Defesa

Ao recorrer, a Universal conseguiu manter suas igrejas em atividade, além de impedir que 15 pastores fossem expulsos em 48 horas, como determinava a sentença obtida pelo governo.

Segundo Cardoso, não há brasileiros entre os expulsos.

"São 15 pastores de vários países africanos. Nenhum deles é brasileiro", disse ele.

A BBC Brasil tentou entrar em contato com o governo de Madagascar para esclarecer o assunto, mas as autoridades que poderiam falar sobre o caso não estavam disponíveis para comentar o assunto nesta sexta-feira.

Em sua defesa, a Universal alega que o pedido de autorização para operar como uma sociedade religiosa em Madagascar ainda está tramitando. Por isso, não deveriam ser expulsos até que uma decisão final fosse tomada pelas autoridades locais. A Igreja chegou ao país em 1998.

"Pedimos o registro em 2002. Ele nos foi negado sem nenhuma explicação. Demos entrada em um novo pedido em 2004 e não tivemos resposta até hoje", disse Cardoso.

Além disso, os integrantes da Igreja defendem que as denúncias iniciais que levaram à condenação de um pastor seis meses atrás são falsas, mas, ainda assim, acabaram motivando o governo a agir de forma "arbitrária" contra a igreja.

"Não posso acusar ninguém sem provas, mas, em um país pequeno, começamos a chamar muita atenção e, talvez, a despertar reações negativas de representantes de outras religiões", disse o bispo, que também é líder da Universal na Grã-Bretanha.

Objetos queimados

A ação contra a Universal começou após denúncias de que bíblias e objetos religiosos haviam sido queimados durante um culto em uma cidade do interior do país.

"Isso é ridículo. Nós usamos a Bíblia nos nossos cultos, não teríamos porque queimar bíblias", afirmou o bispo.

Na ocasião, um pastor foi preso e, posteriormente, condenado a seis meses de prisão (a pena termina no dia 18 de fevereiro).

Segundo Cardoso, as investigações não comprovaram que bíblias foram queimadas, mas o pastor acabou sendo condenado por perturbar a ordem pública.

 
 
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