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04 de março, 2005 - 23h49 GMT (20h49 Brasília)

Marcia Carmo
de Buenos Aires

BNDES libera US$ 200 mi para obras na Argentina

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Guido Mantega, reuniu-se, nesta sexta-feira, com o ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, para assinar a liberação de financiamento de US$ 200 milhões para obras no país vizinho, ao longo de, no máximo, dois anos.

O anúncio foi feito pelo próprio Mantega em entrevista à imprensa brasileira, na Embaixada do Brasil, em Buenos Aires, pouco antes da reunião com Lavagna.

Mantega disse que não passou de “feliz coincidência” o fato de o convênio ter sido assinado um dia depois de confirmado o nível de adesão de 76,07% na troca de papéis da dívida argentina em moratória, desde dezembro de 2001.

Esse financiamento já vinha sendo negociado por seu antecessor no BNDES, Carlos Lessa.

Parceiro

Durante o período de 38 meses em que a Argentina suspendeu o pagamento de sua dívida, as empresas argentinas ficaram praticamente sem acesso a créditos e o BNDES, como já havia lembrado Lessa, foi um dos primeiros a sinalizar que financiaria obras no país vizinho.

Desta vez, Mantega fez questão de deixar claro que não se trata de financiamento direto para a Argentina, mas para o apoio a obras e exportações, nas quais participem empresas brasileiras. Ou, como ele próprio disse, exportação de bens de serviços.

“Nossa idéia é aumentar a presença do BNDES na América do Sul, mas sempre e quando exista atuação de empresas brasileiras. Assim, estaremos criando empregos no Brasil e dando ajuda direta ao desenvolvimento do país parceiro”, afirmou.

Medidas assim, destacou, estão sendo adotadas na Venezuela, na República Dominicana, no Equador, no Peru e no Chile.

Gás

No caso da Argentina, a primeira obra será de ampliação de um gasoduto, o TGS (Transportadora de Gás do Sul), que liga a província de Buenos Aires à Patagônia, e conta com a participação da Petrobras.

Essa é uma obra considerada fundamental, pelo governo argentino, para reduzir a carência de energia, especialmente no inverno, quando aumenta o uso de aquecedores.

A exigência, disse Mantega, além da presença de empresas brasileiras, é que exista uma garantia ao financiamento a ser liberado pelo BNDES.

A carteira do Banco para esse tipo de participação financeira na região é de US$ 2 bilhões, segundo ele, e o orçamento da instituição para esse ano chega a US$ 60,8 bilhões.

“Dinheiro não falta no BNDES para o desenvolvimento nos países vizinhos. O que geralmente falta para que esse processo seja agilizado é a garantia. Por isso, esperamos que o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) também entre nesse processo, com a contrapartida necessária”, disse.

Quando perguntado sobre as declarações feitas, na semana passada, pelo presidente Lula de que ocorreram casos de corrupção na gestão anterior, Guido Mantega foi cauteloso: “As denúncias de corrupção que surgiram no BNDES, de gestões anteriores, foram encaminhadas à justiça. O Banco está perfeitamente sólido”.

As alegações teriam sido feitas pelo antecessor de Mantega ao presidente Lula, assim que ele assumiu o poder. No entanto, o presidente falou no assunto pela primeira vez em público na semana passada, levando PSDB a questionar por que não foram tomadas medidas para apurar as denúncias.