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Atualizado às: 17 de agosto, 2005 - 16h23 GMT (13h23 Brasília)
 
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Caso Jean põe em xeque ação da polícia britânica
 

 
 
Foto: ITV News
Novas informações contradizem versão inicial da polícia
As autoridades britânicas estão sob pressão por causa da forma como o eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto pela polícia de Londres.

Jean foi morto com oito tiros na estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres, no dia 22 de julho, um dia após as tentativas frustradas de ataques suicidas no sistema de transporte da capital britânica.

Na ocasião, as autoridades britânicas defenderam a ação dizendo que Jean havia agido de maneira suspeita.

Alguns grupos britânicos de defesa das liberdades civis aceitaram amplamente a política policial de atirar para matar, desde que houvesse garantias para o devido treinamento de policiais e um claro comando.

Desde então surgiram informações de documentos oficiais revelados pela mídia, não negados nem confirmados pelas autoridades britânicas, de que a versão da polícia não era verdadeira.

Em contraste com o que eles haviam dito após a morte de Jean, agora está claro que o eletricista estava utilizando uma jaqueta jeans, não uma jaqueta forrada grossa; que ele passou andando pela catraca da estação, e não as pulou; que os policiais só se identificaram após entrar no trem do metrô; ele foi agarrado por um policial antes de ser morto.

No dia seguinte à morte de Jean, o chefe da Polícia Metropolitana, Ian Blair, disse que Menezes foi “confrontado e se recusou a obedecer às instruções da polícia”.

Inicialmente foi dito que “as roupas e as ações” de Jean levaram à suspeita de que ele poderia estar levando uma bomba.

De acodo com os arquivos da polícia, Jean morreu por causa de falhas de julgamento, erros e más decisões.

A questão agora é que impacto isso terá sobre o processo político local. Os britânicos, pelo menos entre as classes mais esclarecidas, normalmente ficam desconfiados das tentativas do governo de endurecer leis e de erodir o que dizem
ser seus direitos básicos.

Não está claro ainda que impacto as revelações dos erros cometidos pela polícia terão sobre a propensão da população em confiar nas autoridades.

Harreit Wistrich, uma das advogadas da família de Jean, disse à BBC que as revelações sobre sua morte levantam “sérias questões”: “Isso levanta questões muito, muito sérias sobre a política de atirar para matar e mostra que questões imediatas precisam ser respondidas sobre se esta política deveria estar em operação e sobre o quão problemática ela pode ser”.

E ela acrescentou: “Era necessário atirar para matá-lo em vez de tentar abordá-lo num momento anterior? Não havia nenhuma indicação de que ele ia se explodir”.

Um porta-voz da família das vítimas, Assad Rehman, disse à BBC: “Enquanto esta investigação acontece, a política de atirar para matar precisa ser suspensa, porque seguramente existem sérias questões levantadas sobre a sua habilidade operacional e seu impacto em realmente interromper os ataques terroristas”.

O governo britânico vem tentando buscar o apoio do público para uma lei e um policiamento mais duros. Mas as últimas informações não ajudam nessa tarefa.

 
 
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