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Atualizado às: 27 de setembro, 2005 - 17h28 GMT (14h28 Brasília)
 
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Entenda quem são os insurgentes no Iraque
 
Insurgentes iraquianos em Falluja
Algumas cidades iraquianas como Falluja foram dominadas por insurgentes
Diversos grupos uniram-se à insurreição no Iraque, tendo em comum apenas um compromisso de atacar as forças americanas ou quem eles acreditam ser aliados dos Estados Unidos.

A insurreição não tem um único porta-voz, ou um objetivo comum no longo-prazo.

Alguns grupos, por exemplo, estão lutando por um califato muçulmano sunita. Outros antecipam uma teocracia xiita para o Iraque.

Os incentivos que impulsionam cada um dos insurgentes também são diferentes. Vão de devoção religiosa a proveito econômico, passando por fervor nacionalista e revolta pela perda do emprego ou de um ente querido no conflito no país.

Os números envolvidos são estimativas, que variam de 30 mil para cerca de 200 mil combatentes – segundo dados da inteligência iraquiana em 2005.

Acredita-se que o maior reduto da insurreição é a área predominantemente muçulmana sunita na parte central do Iraque. Ela foi palco dos ataques mais sangrentos e de onde se originou a maioria dos combatentes.

Também há uma concentração de combatentes de "Jihad" estrangeiros no Iraque – a maioria se uniu à insurreição muçulmana sunita.

Estima-se que não passam de 3 mil, mas se destacam muito na insurreição.

O governo dos Estados Unidos diz que a presença desses combatentes estrangeiros é uma prova de que os países vizinhos, tais como a Síria e o Irã, estão tentando desestabilizar o Iraque.

Organizações como a Al-Qaeda elogiam os combatentes estrangeiros dizendo que são os recrutas ideais, a vanguarda de um levante pan-islâmico global.

Abaixo estão alguns dos principais grupos que participam da insurreição no Iraque.
Não foram incluídos a Brigada Xiita Badr e os peshmerga curdos, que são milícias que não têm tradição de atacar alvos americanos ou seus aliados no governo iraquiano.

AL-QAEDA NO IRAQUE

A Al-Qaeda é o grupo insurgente mais bem-sucedido, a quem se atribui muitos dos atentados mais sangrentos e decapitações no país.

A proeminência do grupo se deve, em parte, a uma campanha de mídia que explora a exposição e o anonimato oferecidos pela internet e canais de televisão.

O comandante local do grupo seria o militante jordaniano Abu Musab Al-Zarqawi.

Os militares americanos consideram-no seu maior inimigo no Iraque, embora muitos analistas tenham dúvida sobre se ele está dirigindo sozinho toda a violência que lhe é atribuída.

Abu Musab Al-Zarqawi
Al-Zarqawi é visto por forças americanas como o maior inimigo dos EUA

Como comandante do campo de treinamento jihadista no Afeganistão em 2001, Zarqawi teria se considerado um rival do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden.

Ele começou suas atividades no Iraque supostamente como o chefe do grupo Tawhid e Jihad, tomando crédito pelo degolamento de reféns estrangeiros.

No final de 2004, Zarqawi teria unido o seu grupo ao de Osama Bin Laden, dando-lhe um novo nome, "Al-Qaeda no Iraque".

Entre as marcas dos ataques da Al-Qaeda no Iraque estão ataques a bomba sincronizados e o seqüestro e assassinato de reféns estrangeiros.

As bombas tinham uma ampla gama de alvos - de militares americanos às forças de segurança iraquianas e a comunidade xiita. De acordo com uma carta supostamente escrita a Zarqawi e divulgada pelos militares americanos em meados de 2004, a estratégia central da Al-Qaeda é iniciar um conflito sectário no país.

Entre os reféns mortos pelo grupo estão o cidadão americano Nick Berg e o engenheiro britânico Kenneth Bigley.

Fontes dos governos de Iraque e Estados Unidos dizem que a Al-Qaeda recrutou combatentes estrangeiros para as suas operações no Iraque.

Um relatório divulgado em setembro de 2005 pelo Centre for Strategic and International Studies disse que voluntários estrangeiros são quase 10% da insurreição.

De acordo com o relatório, a maioria dos insurgentes estrangeiros veio de Argélia, Síria, Iêmen e Sudão.

Os sauditas são uma minoria influente no contingente de estrangeiros porque trazem dinheiro e por causa da grande cobertura da mídia feita quando eles morrem, segundo o documento.

EXÉRCITO MEHDI

Liderado pelo clérigo xiita radical Moqtada Sadr, o Exército Mehdi esteve envolvido em vários confrontos com forças lideradas pelos Estados Unidos.

Os recrutas do grupo são, na maioria, rapazes do sul do iraque e das áreas xiitas da capital, Bagdá, especialmente do distrito pobre de Sadr City, cujo nome foi uma homenagem ao pai de Moqtada Sadr, um clérigo muito respeitado que foi assassinado pelas forças de segurança de Saddam Hussein.

Os combatentes Mehdi, que portam armas leves, entraram em choque com soldados dos Estados Unidos em abril de 2004, depois de tomar delegacias em áreas xiitas do Iraque. Os distúrbios começaram depois que os Estados Unidos proibiram a circulação de um jornal leal a Sadr.

Sadr voltou a mobilizar seus combatentes em agosto de 2004. O auge do enfrentamento foi na cidade sagrada de Najaf - uma espécie de Vaticano xiita. Soldados americanos cercaram centenas de combatentes do Mehdi que buscaram refúgio no mausoléu do Imã Ali.

O auge da confrontação do Exército Mehdi com os EUA foi na cidade de Najaf
Combatente do Exército Mehdi

A intervenção do destacado clérigo xiita, aiatolá Ali Al-Sistani levou a uma trégua e à retirada dos combatentes de Sadr do mausoléu.

Sadr já mudou de posição em relação à liderança em Bagdá. Já ofereceu apoio tácito, mas em ocasiões pede a seus seguidores que se oponham a ela.

O Exército Mehdi recebeu este nome por causa de um imã que, de acordo com a tradição xiita, vai ressurgir entre os fiéis.

Em suas pregações, Sadr já disse que as forças dos Estados Unidos estão cientes da volta iminente de Mehdi e invadiram o Iraque para capturá-lo e matá-lo.

MILITANTES LEAIS A SADDAM

Quando estava no poder, o regime secular de Saddam Hussein reprimiu muitos dos elementos radicais sunitas e xiitas que hoje estão à frente da insurreição.

Mas, desde a sua derrubada, aliados do ex-líder fornecem recursos materiais e técnicos para insurgentes árabes sunitas, de acordo com inteligência americana.

Em setembro de 2005, um tribunal iraquiano condenou um sobrinho do líder deposto por financiar insurgentes.

Os insurgentes também fizeram bom uso de armas e do treinamento que receberam do Exército de Saddam Hussein.

As forças americanas enfrentam seu maior desafio na área central do Iraque - como a cidade de Falluja - que tem uma forte tradição de serviço militar.

Analistas também atribuem muito da violência à decisão do ex-administrador americano do Iraque, Paul Bremer, de debandar o Exército iraquiano em 2003, sem desarmar a força.

ANSAR AL-ISLAM

Ansar Al-Islam é um grupo muçulmano sunita que mantém sua base na área montanhosa do norte do Iraque.

Ele recruta curdos que se opõem à União Patriótica do Curdistão, apoiada pelos Estados Unidos, de acordo com o site de inteligência americana globalsecurity.org.

O grupo sofreu um grave revés em meados de 2003, perdendo várias de suas bases em bombardeios americanos.

Em fevereiro de 2004, ele reivindicou responsabilidade por atentados a bomba suicidas simultâneos aos escritórios de dois partidos políticos curdos apoiados pelos Estados Unidos.

O líder do grupo, mulá Krekar, foi colocado sob prisão domiciliar na Noruega por vários anos.

Os Estados Unidos acusam Ansar Al-Islam de manter ligações com a Al-Qaeda.

 
 
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