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Atualizado às: 31 de outubro, 2005 - 08h53 GMT (05h53 Brasília)
 
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A inteligência e os livros
 
Ivan Lessa
Três vezes por semana, logo depois da aula de ioga, no metrô, minha garrafinha de água natural escocesa do lado, abro um livro.

Um livro dos bons.

Outubro foi mês de Tolstói, que eu não faço por menos.

Aquela versão em dois volumes, editada aqui pela Penguin, tradução de Anthony Briggs, mais de 1400 páginas, um verdadeiro espanto para meus companheiros de viagem, que, diante de meu agasalho de ginástica azul e faixa vermelha na testa, esperavam mais – tenho a certeza – um tablóide sensacionalista do que o festejado romancista russo.

A inteligência não é para ser servida apenas entre amigos; os estranhos também devem dela tomar conhecimento.

E de forma ostensiva. A não deixar dúvidas.

Já me defrontei, como os caubóis do velho oeste, em vagões de metrô com tipos mal encarados empunhando um Proust, um Cervantes e, em certa ocasião memorável, um Memórias Póstumas de Brás Cubas, de nosso bom Machado de Assis, na tradução inglesa de Gregory Rabassa.

Sim, de vez em quando, vejo-me em pleno Os Brutos Também amam ou Matar ou Morrer.

A vida intelectual é um constante confronto com nossos dessemelhantes.

Por isso é que não me surpreendi com os dados divulgados por uma pesquisa que revelou que, aqui na Grã-Bretanha, apenas uma em cada três pessoas compra livros apenas para parecer "inteligente".

Mais: um em cada oito jovens escolhe um livro para ser visto com um exemplar de finalista de concurso, que muitos são os concursos literários nestas ilhas.

A mesma pesquisa, realizada pelo grupo Expedia, divulga os dez títulos mais procurados pelos preocupados com os aspectos externos da vida interna da mente.

Entre esses livros estão a Bíblia, Catch-22, A Revolução dos Bichos, aquele do George Orwell e um pouquinho do Chico Buarque, Orgulho e Preconceito, O Morro dos Ventos Uivantes e, vejam só!, O Código da Vinci.

Eu aspiro a mais, eu vôo mais alto: é de James Joyce e Karl Jungmann pra cima!

 
 
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