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Atualizado às: 01 de novembro, 2005 - 08h18 GMT (06h18 Brasília)
 
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Ato anti-Bush vai reunir grupo eclético em Mar del Plata
 

 
 
Homem passa em frente a muro com slogan "Fora Bush"
Principais manifestações devem acontecer na sexta-feira
Um grupo eclético deve participar na sexta-feira de uma manifestação contra a presença do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, na 4ª Cúpula das Américas, em Mar del Plata, a 400 quilômetros da capital argentina.

Entre os que anunciaram sua participação no protesto devem estar o ex-jogador Diego Armando Maradona e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Também devem comparecer sindicalistas de diferentes países, Mães da Praça de Maio, piqueteiros de diversas agrupações, o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel e familiares das vítimas da guerra do Iraque, como Cindy Sheehan, mãe de um soldado americano morto.

Os muros de Buenos Aires e de Mar del Plata já estão cobertos com cartazes dizendo "Fuera Bush" e "Bush, go home", assinados, entre outros, pela Central Geral dos Trabalhadores Argentinos (CGT) e o Sindicato das "Obras Sociales" (dos Planos de Saúde).

Na segunda-feira, piqueteiros interromperam o trânsito em Buenos Aires e prometem repetir o protesto durante a semana.

No seu programa exibido na noite de segunda-feira, "La Noche del Diez" ("A Noite do Dez"), do Canal 13, Maradona mostrou trechos da entrevista que fez com o presidente de Cuba, Fidel Castro, na qual o ex-craque afirma que participará do protesto contra Bush.

"Diego, você merece uma estátua", disse Fidel. " E, cá entre nós, se eu fosse o presidente dos Estados Unidos, não iria à Cúpula das Américas", completou o presidente.

Sem convite

A 4ª Cúpula das Américas reunirá 34 chefes de Estado e de governo do hemisfério, à exceção do líder cubano, que não foi convidado para o encontro.

Maradona disse, em seu programa, que sairá de Buenos Aires numa caravana de trens junto com outros manifestantes. Todos rumo ao balneário de Mar del Plata.

"Stop Bush. Esse é o lema", afirmou, no mesmo programa desta semana o deputado federal e escritor argentino Miguel Bonasso, definido pela imprensa do país como um dos "conselheiros" do presidente Nestor Kirchner.

Ouvidos pela BBC Brasil, organizadores do protesto, como o líder piqueteiro Luis D'Elia, simpatizante do governo Kirchner, disse que a manifestação já é um "ato internacional" porque contará com a presença de Maradona.

"Nós temos que protestar contra a política agressiva de Bush, que através da mentira e do terror ocupou países como o Iraque e ameaça invadir o Irã, a Venezuela e Cuba", disse.

D'Elia confirmou que Hugo Chávez participará, como o próprio presidente já havia anunciado, da reunião oficial e da manifestação, batizada "3ª Cúpula dos Povos da América" ou "Contra-Cúpula", a ser realizada na sexta-feira.

Eles farão uma caminhada, que sairá do centro de Mar del Plata até o estádio de futebol "Mundialito", onde haverá shows, como o de Silvio Rodriguez, discursos, como o de Chávez, marcado para às 13h, e a presença, entre outros, de Adolfo Perez Esquivel, além de outros familiares, como contou D'Elia, dos mortos no Iraque.

Luta

Aos 75 anos de idade, a mãe da Praça de Maio Nora Cortiña, da chamada "Linha Fundadora" da entidade, acha que Maradona vai somar, mas não será o único "nessa luta".

Ela explicou que também estará no protesto porque as Mães da Praça de Maio "levantam a bandeira da luta dos filhos" que desapareceram na ditadura argentina, entre 1976 e 1983.

"Os Estados Unidos influenciaram nas ditaduras militares dos países latinos e agora pretendem impor a Alca, Área de Livre Comércio das Américas", disse.

"Nós não queremos protestar apenas contra a figura de uma pessoa (Bush), mas contra a política dos Estados Unidos para os países latinos, incluindo a política econômica que eles pretendem nos impor, através do FMI", afirmou.

Os protestos de sexta-feira, primeiro dia de reuniões dos chefes de Estado e de governo, incluem bandeiraços, manifestações nas diferentes praças do país e paralisações das atividades dos servidores, convocadas pela Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), que reúne principalmente empregados públicos.

"Queremos dizer que outra América é possível", afirmou um comunicado da CTA, uma das várias entidades a participar dos protestos e a enviar e-mails informando como será a jornada de sexta-feira, que marcará a concentração dos atos contra Bush.

 
 
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