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Atualizado às: 25 de novembro, 2005 - 07h35 GMT (05h35 Brasília)
 
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Beber bem e beber mal
 
Ivan Lessa
Na antiga Cinelândia havia o cinema Capitólio. Nele, as sessões passatempo. Eram desenhos, filmes em série, shorts, cinejornais, trailers, o diabo. Em cima da tela tinha um pequeno globo que deveria rodar. Em geral, como o modelo original, andava enguiçado.

Essas sessões passatempo tinham um slogan: “O espetáculo começa quando você chega”. Os desocupados e aqueles que tinham que fazer uma horinha estavam sempre chegando, sempre saindo. Andei por lá.

As sessões passatempo chegaram a estas ilhas à meia-noite de quarta-feira na Inglaterra e no País de Gales. Só que sem desenho animado do Pato Donald ou do Pernalonga.

As sessões passatempo dizem respeito a uma das coisas mais sérias para os ilhéus daqui: beber. No primeiro minuto de quinta-feira, dia 24 de novembro, todos os estabelecimentos com licença para venderem bebidas alcoólicas vão poder fazê-lo 24 horas por dia.

Não sei se o governo foi pressionado para mudar as leis tradicionais que regem a encheção de cara. Também não posso afirmar se estava todo mundo sóbrio quando votaram pelas novas medidas.

Sei do seguinte: A polícia está aguardando com ansiedade o badalar da meia-noite. 184 mil dos estabelecimentos já com licença para vender a água que passarinho não bebe (olhem só como eu andei bebendo mal) entraram com a papelada para funcionarem 24 horas por dia, sete dias por semana. 700 estabelecimentos, em geral supermercados, e 240 pubs também submeteram sua aplicação.

Um em cada quatro deles recebeu objeções por parte de residentes nas imediações. Os hospitais entraram em prontidão.

Os aspirantes a bebâdos com B maiúsculo esfregam as mãos. Deve ter um punhado de gente pensando em entrar para o Livro Guinness de Recordes numa categoria qualquer ligada a porre.

Os verdadeiros bêbados, graves e misteriosos, como as estátuas da Ilha da Páscoa, do fundo de seus segredos observam com o devido desdém os acontecimentos. Eles sabem que beber, mas beber mesmo, não tem nada a ver com isso que está, que passou a acontecer.

 
 
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