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Atualizado às: 03 de janeiro, 2006 - 20h12 GMT (18h12 Brasília)
 
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Disputa com Ucrânia mostra desejo russo de manter influência
 

 
 
gasoduto
Mesmo gasoduto transporta produto para Europa Ocidental e Ucrânia
A disputa entre a Rússia e a Ucrânia por gás natural é resultado de uma poderosa combinação entre as preocupações com os recursos energéticos do mundo e o desejo russo de exercer influência no seu quintal.

É irônico que a Rússia assuma a presidência rotativa do G8, cuja agenda deste ano tem como prioridade assegurar o fornecimento de energia, no momento em que decide cortar as exportações de gás para o país vizinho.

Os russos dizem que se trata de uma questão puramente econômica e que a Ucrânia poderia restabelecer as entregas abraçando as leis do mercado e perdendo o favoritismo que a Rússia ainda reserva a ex-repúblicas soviéticas.

Moscou também alega que nunca parou de fornecer gás à Europa Ocidental, prática que começou nos primórdios na União Soviética e não foi interrompida nem mesmo durante as crises que levaram à sua dissolução.

A Ucrânia, no entanto, teme estar sendo punida pela Revolução Laranja (na qual o candidato apoiado por Moscou foi derrotado) e as políticas pró-ocidentais que adotou desde então.

Novo mundo

Qualquer que seja a razão, o caso ilustra o novo mundo em que estamos vivendo, no qual novas fontes de energia se tornam fontes de potenciais tensões e conflitos.

Não é estranho que a energia esteja no centro da diplomacia e das políticas mundiais, mesmo no centro de uma guerra. O ataque de Pearl Harbor teve origem, em parte, em uma decisão dos Estados Unidos de limitar as exportações de petróleo ao Japão em 1941, em resposta à invasão da China pelos japoneses.

O petróleo também teve o seu papel no golpe de 1953 no Irã, organizado por Estados Unidos e Grã-Bretanha. Um primeiro-ministro eleito, Mohammed Mossadegh, foi derrubado e no seu lugar colocado o xá Reza Pahlavi.

O Ocidente não se interessou pelo Mundo Árabe porque alguns diplomatas queriam se tornar versões tardias do personagem Lawrence da Arábia, e sim porque queria proteger a sua principal fonte de petróleo.

Arquivos britânicos divulgados há cerca de dois anos mostraram que em 1973, em resposta ao embargo árabe das exportações de petróleo, o governo americano formulou um plano para assumir o controle de poços na Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.

Por décadas, o objetivo de proteger o petróleo foi alcançado.

Apenas agora, com a perspectivas de os poços de petróleo secarem nas próximas décadas, as novas preocupações estão aparecendo.

Novas potências

Com o rápido crescimento da China em particular, mas também da Índia e de outras economias de médio porte, começou a corrida pelo que resta de petróleo no mundo.

A necessidade de petróleo da China já está influenciando a sua política externa. O país importa petróleo do Sudão; portanto, quem quiser adotar sanções contra o Sudão tem que se entender com a China. O mesmo se aplica ao Irã, outro exportador de petróleo para os chineses.

Para a Administração sobre Informações de Energia, unidade do governo americano que acompanha as necessidades e estoques de energia de todo o mundo, define a União Européia como um importador de energia.

"De acordo com o relatório divulgado pela Comissão Européia (Perspectivas para o setor de energia até 2020, em tradução livre), dois terços do total de necessidades energéticas da UE serão importadas até 2020. Eurogas prevê que a UE vá exportar até 75% das suas necessidades de gás natural até 2020."

Não é por acaso que a UE está vendo com preocupação a disputa entre Rússia e Ucrânia, atraindo atenção para uma das partes mais obscuras do globo.

O Circulo Polar Ártico é um exemplo. O derretimento da capota de gelo já está em curso e isso significa que haverá uma nova "Corrida do Ouro", desta vez pelo ouro negro e outros minerais. Terras estão sendo reivindicadas, fronteiras estão sendo contestadas e novas tensões se desenvolvendo.

Em 1996, o governo britânico enviou o príncipe Charles para vários países da Ásia Central que faziam parte da União Soviética, Turcomenistão, Uzbequistão, Cazaquistão. Todos eram ricos em energia, fosse petróleo ou gás. Ele também foi ao Quirguistão, que não tem petróleo nem gás, mas nesse país apenas visitou um asilo de veteranos de guerra.

O fato é que os próprios estoques de gás da Grã-Bretanha no Mar do Norte não são mais os mesmos. Novos horizontes precisam ser abertos. Em breve grandes navios de gás natural liquefeito vindos da Venezuela e da Argélia se tornarão familiares nos portos britânicos. Isso também terá impacto na diplomacia britânica.

E o futuro da energia nuclear está novamente em pauta. Isso significa que países com grandes depósitos de urânio, como a Austrália e o Cazaquistão, descobrirão que têm muitos novos amigos se os governos resolverem recorrer à via nuclear.

Muitos vão, embora alguns países (Alemanha e Suécia, entre eles) estejam fechando as suas estações nucleares depois de pressão pública. Outros, como a Finlândia, estão sendo reconstruídos.

Na Grã-Bretanha, o debate acaba de ser reaberto. A França tem 80% de suas necessidades atendidas por usinas nucleares desde que decidiu que não ficaria vulnerável a um embargo da venda de petróleo. Atualmente o país vence a sua capacidade ociosa para os seus vizinhos, incluindo a Grã-Bretanha.

 
 
Ponto a ponto
Entenda a crise do gás entre Rússia e Ucrânia.
 
 
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