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Atualizado às: 24 de março, 2006 - 21h56 GMT (18h56 Brasília)
 
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Brasileiros realizam pesquisa em gravidade zero
 

 
 
Equipe brasileira
Russomano (centro) flutua com colegas do projeto Van Gogh
Uma série de testes de um equipamento inédito de coleta de sangue arterial em um ambiente de gravidade zero foi considerada um sucesso pela equipe de cientistas brasileiros que criou o projeto.

Em meados de março, os pesquisadores – quatro brasileiros do Laboratório de Microgravidade da PUC do Rio Grande do Sul e quatro britânicos do King's College London – liderados pela médica Thaís Russomano tiveram três dias de vôos parabólicos (que buscam imitar a gravidade zero encontrada em vôos espaciais) para testar o equipamento.

A equipe do "Projeto Van Gogh" desenvolveu um aparelho que pode ser capaz de realizar exames de sangue em locais como a Estação Espacial Internacional, que gira na órbita da Terra.

"Os testes com o coletor de sangue projetado e construído pelo técnico Mario Vian foram um sucesso. No total, fizemos 31 coletas, com mais de 80%
de aproveitamento", afirmou Russomano à BBC Brasil, observando que o uso do coletor é mais fácil e rápido na microgravidade do que na Terra.

Russomano, Ricardo Cardoso, Felipe Falcão e Gustavo Dalmarco

Para conseguir simular o ambiente espacial necessário para os testes, os pesquisadores embarcaram em um avião adaptado especialmente para este objetivo pela Agência Espacial Européia (AEE) que recria a microgravidade durante 25 segundos.

No entanto, o equipamento também pode vir a ter aplicações "terrestres".

"Ele pode revolucionar a avaliação imediata dos pacientes, especialmente os que sofrem de insuficiências respiratórias e cardíacas, porque evita a chamada 'dança das artérias', aquela dificuldade de se encontrar e perfurar artérias para o exame", afirmou a pesquisadora gaúcha.

Inédita

Embora o aparelho facilite este tipo de testes em qualquer ambiente, é no espaço que ele pode fazer mais diferença. Até agora, não é possível testar sangue arterial com segurança em ambientes de microgravidade.

"Não existe outra técnica. Essa é única e está sendo oferecida praticamente pronta", destacou Russomano.

O Airbus 300 da Agência Espacial Européia sobe à inclinação de 47º

Em cada um dos vôos do Airbus 300 da Agência Espacial Européia especialmente adaptado para testes, os cientistas descreveram 31 parábolas, durante as quais o interior da aeronave fica em um ambiente de microgravidade por cerca de 25 segundos.

Para conseguir este efeito, o piloto sobe em uma inclinação de 47º mais de 1,2 mil metros em poucos segundos até atingir uma altitude de mais de 5 mil metros, e pouco depois embica o avião a 45º para retornar à altitude inicial.

Durante 25 segundos dessa trajetória parabólica, os tripulantes do avião flutuam em um ambiente de gravidade zero, como se estivessem no espaço.

"É um momento incrível, parece que você está dentro de uma piscina,
mas sem água. Sente-se uma liberdade diferente", afirmou um dos pesquisadores, Felipe Falcão.

Por motivos de segurança, a manobra tem que ser realizada por cima do oceano, apesar de o vôo decolar da França.

Van Gogh

Foi durante esses breves segundos de microgravidade que os cientistas testaram o aparelho para "picar" a orelha de um paciente – daí o nome do projeto, uma homenagem ao gênio holandês que cortou fora a própria orelha – e extrair cerca de 60 micromilímetros de sangue.

Todo o procedimento foi feito dentro de uma caixa vedada para evitar possíveis acidentes com o sangue.

A equipe demonstra como serão os testes na microgravidade do avião

O aparelho usado nos testes é a sétima versão testada pelos pesquisadores e passou de uma caixa que pesava mais de meio quilo para um fino cilindro de apenas 40 gramas.

O Laboratório de Microgravidade da PUC-RS vem trabalhando no projeto há sete anos e já está planejando mais uma campanha de vôos parabólicos para novos testes com o coletor.

No entanto, antes disso os pesquisadores vão analisar os dados registrados durante os testes de março.

Se a viabilidade do aparelho ficar definitivamente comprovada, Thaís Russomano diz acreditar que em menos de um ano ele pode começar a fazer parte do dia-a-dia dos profissionais de saúde.

"Entre as aplicações que ele pode ter estão o uso em ambulâncias, clínicas, postos de saúde e até kits médicos da estação espacial", afirma a médica.

 
 
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