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Atualizado às: 05 de abril, 2006 - 20h28 GMT (17h28 Brasília)
 
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Fóssil revela elo entre peixes e animais terrestres
 

 
 
Fóssil
O fóssil foi encontrado no Canadá em ótimo estado
Fósseis de animais encontrados no Canadá revelam o "elo perdido" que explicaria a evolução dos peixes em animais terrestres, segundo um estudo de paleontólogos americanos publicado na revista científica Nature.

As descobertas estão dando a pesquisadores uma visão inédita desse estágio fundamental da evolução da vida na Terra.

Os espécimes, de 383 milhões de anos, são descritos como animais semelhantes aos crocodilos, com barbatanas ao invés de membros, e que provavelmente viveram em águas rasas.

Antes dessas descobertas, os paleontólogos sabiam que peixes de nadadeiras lobadas (em forma de lóbulo, arredondadas) evoluíram para criaturas terrestres durante o período Devoniano.

Mas os registros de fósseis mostravam um intervalo entre o Panderichthys - um peixe que viveu há cerca de 385 milhões de anos e que mostra sinais de evolução para criaturas que sobrevivem em ambientes terrestres - e o Acanthostega - o primeiro quadrúpede conhecido, que data de 365 milhões de anos atrás.

Sorte grande

Em 1999, os professores de paleontologia Neil Shubin, da Universidade de Chigago, e Edward Daeschler, da Academia de Ciências Naturais da Filadélfia, começaram uma exploração da parte ártica do Canadá na tentativa de encontrar o "elo perdido" que explicaria a transição da água para a terra.

Animal
Cientistas acreditam que animal viveu em águas rasas

Após vários anos de buscas, com pouco sucesso, eles tiraram a sorte grande em 2004.

"A incrível descoberta veio quando um dos membros da equipe encontrou o focinho de um animal de cara achatada despontando de um penhasco - e isso é totalmente o que você quer encontrar porque, se tiver sorte, o resto do esqueleto estará enterrado no penhasco", disse Shubin à BBC.

A equipe encontrou três fósseis da nova espécie Tiktaalik roseae, em bom estado de conservação e quase completos, em uma área do Ártico chamada Território Nunavut. O maior fóssil tem quase 3 metros de comprimento.

"Quando nós voltamos ao laboratório, retiramos a rocha do osso e começamos a achar coisas realmente significativas", disse Shubin.

Crocodilo

O fóssil tem algumas características dos peixes, como barbatanas e escamas nas costas.

Mas ele também tem várias características em comum com criaturas terrestres. O animal tem uma cabeça chata com os olhos no topo, semelhante à de um crocodilo, e o início de um pescoço, o que não existe em peixes.

"Quando nós olhamos dentro da barbatana observamos um ombro, um cotovelo e uma versão inicial de um pulso, o que é muito similar a animais que também habitam a terra", afirmou Shubin.

"Essencialmente nós temos um animal feito para poder se sustentar no chão."

Os cientistas acreditam que a posição dos olhos da criatura significa que ela provavelmente viveu em águas rasas.

"Nós estamos capturando uma transição muito significativa em um momento-chave. O que é significativo nesse animal é que se trata de um fóssil que borra a distinção entre duas formas de vida - entre um animal que vive na água e um animal que vive em terra."

Andrew Milner, um paleontólogo do Museu de História Natural da Grã-Bretanha, disse que é raro encontrar um fóssil em condições tão boas.

"Esse material é incrível porque inclui um esqueleto quase completo - o que é sempre útil porque ao invés de montar o fóssil a partir de pedaços podemos ver o esqueleto inteiro e ter certeza de que se trata da forma como o animal era composto."

A professora Jennifer Clack, da Universidade britânica de Cambridge, disse que a descoberta pode acabar virando um "ícone evolutivo" tão importante quando o Archaeopteryx, um animal que marca a transição de répteis para aves.

Um molde do fóssil será exibido no Museu da Ciência de Londres a partir desta quinta-feira.

 
 
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