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Atualizado às: 09 de abril, 2006 - 07h29 GMT (04h29 Brasília)
 
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Itália vai às urnas para escolher novo primeiro-ministro
 

 
 
Silvio Berlusconi (esq.) e Romano Prodi
Berlusconi (esq.) e Prodi polarizam a eleição marcada pela economia
Neste domingo e na segunda-feira, cerca de 50 milhões de eleitores italianos devem ir às urnas para eleger o primeiro-ministro que na sua opinião melhor poderá lidar com a complicada economia do país.

O pleito deve funcionar também como um veredicto dos cinco anos de governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, líder da coalizão de centro-direita, a Casa das Liberdades.

Duas semanas atrás, as últimas pesquisas de intenções de votos davam uma margem de vitória de 5 pontos porcentuais para Romano Prodi, ou o Professore, como é chamado o professor de economia e líder da coalizão de centro-esquerda, a União.

Contudo, 15% dos 50 milhões de eleitores registrados permaneciam indecisos.

Campanha

No último comício de sua campanha, na cidade de Nápoles, na sexta-feira, Berlusconi, de 69 anos, voltou a insistir.

‘’Vocês querem deixar para seus filhos um país governado por pessoas que aumentarão os odiosos impostos sobre suas casas, economias e sobre aquilo que deixarão para seus filhos (propriedades)?’’

O primeiro-ministro fez várias promessas eleitorais de cortes de impostos. De reduções nos tributos sobre contas correntes à primeira moradia, Berlusconi prometeu, ainda, aumentar a aposentadoria de 500 para 800 euros (quase R$ 1,3 mil a mais de R$ 2 mil).

Por sua vez, Romano Prodi escolheu a Piazza del Popolo, em Roma, para fazer seu último discurso.

O ex-primeiro ministro (1996 e 1998) e ex-presidente da Comissão Européia (CE), de 66 anos, resumiu o seu discurso: ‘’Este comício não é apenas um apelo ao seu voto, é uma convocação para a reconstrução da Itália’’.

Se até cinco anos atrás a Itália, quarta economia da Europa, era um país associado à prosperidade, o quadro mudou.

Crise

Ano passado, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país foi zero. Este ano, a previsão é de 1,3%.

O déficit orçamentário, cujo teto na zona do euro é de 3%, poderá ultrapassar os 6%, em 2006. A dívida pública, em crescimento, corresponde a 106% do PIB.

Muitos interpretam a crise como um problema estrutural e não passageiro.

Com quase cinco milhões de empresas, um quarto do total europeu, o ‘’modelo industrial italiano’’ é um mosáico de pequenas empresas familiares.

E, no mundo globalizado, diversas dessas empresas, como as de sapatos, perderam competitividade para países como a China, onde a mão-de-obra é mais barata.

‘’Vou votar na União’’, disse à BBC Brasil Mario Adinolfi, apresentador de televisão de 34 anos e líder do movimento Democracia Direta. ‘’Mas não podemos culpar Berlusconi por todos os males econômicos que assolam a Itália.’’

Conflito de interesses

De fato, todos os países europeus atravessam uma fase de reformas econômicas difíceis. Mas existe uma percepção de que Berlusconi fez pouco pela Itália.

Durante o seu mandato – o primeiro a ser concluído no pós-Guerra –, ele passou a maior parte do tempo se defendendo de acusações de conflitos de interesses.

Ele é dono da empresa Mediaset, proprietária dos três principais canais privados de televisão, e como primeiro-ministro tem o controle dos canais públicos.

Berlusconi aproveitou sua maioria parlamentar para aprovar leis que lhe dão imunidade em várias acusações: lavagem de dinheiro, contatos com a Máfia, suborno de juízes.

Em março, procuradores de Milão entregaram um pedido de indiciamento por corrupção de Berlusconi e do advogado David Mills, marido da secretária de Cultura do Reino Unido, Tessa Jowell.

Mills, segundo os procuradores, teria sido subornado por Berlusconi para prestar depoimentos a favor do primeiro-ministro em dois julgamentos. Em caso de derrota nessas eleições, Berlusconi perderá a sua imunidade parlamentar e será julgado.

'Jesus Cristo'

Durante a campanha eleitoral, o primeiro-ministro atacou os magistrados de Milão, a mídia que lhe faz oposição, a oposição ‘’comunista’’ e chegou a se comparar a Jesus Cristo e Napoleão.

Em Roma, disse a um grupo de empresários que não respeita os ‘’coglioni’’ (em tradução literal, colhões) que votam contra os seus interesses.

Muitos italianos responderam ao ataque com bom humor. ‘’Sono un coglione’’, (sou um colhão, em tradução literal), afirmou Lino Senziola, de 60 anos, voluntário da União.

O ponto principal do manifesto da União é o corte de impostos sobre o custo de trabalho em 5 pontos porcentuais no primeiro ano. Isso será financiado por maiores impostos sobre o capital.

Coalizão

Prodi também pretende reintroduzir impostos sobre bens herdados. Já os incentivos para empregar e desempregar seriam reduzidos.

Mas uma coalizão de centro-esquerda no poder, dizem alguns observadores, não seria duradoura.

Isso porque uma lei eleitoral, passada ano passado pela maioria de centro-direita para desestabilizar a esquerda, reintroduziu o sistema proporcional, que favorece pequenos partidos.

Porém, o manifesto da União agradou até a candidatos como Fausto Bertinotti, líder da Refundação Comunista.

 
 
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