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Atores palestinos adotam Teatro do Oprimido de Boal
 

 
 
O grupo experimental palestino Teatro Ashtar (Foto: Divulgação)
Grupo adotou o método criado por Augosto Boal (Foto: Divulgação)
O Teatro do Oprimido, método criado pelo dramaturgo brasileiro Augusto Boal, está sendo usado por um grupo de teatro experimental palestino, o Ashtar, baseado em Ramallah, na Cisjordânia.

Fundado por Edward Muallem em 1991, o grupo vem desenvolvendo um projeto de cooperação com o Teatro do Oprimido desde 2002 e convidou a coordenadora Bárbara Santos para capacitar sua equipe a se tornar "multiplicadora" da obra de Boal.

O grupo, que tem o nome da deusa cananita do amor e do fogo, já está levando o Teatro do Oprimido às mais diversas comunidades nos territórios palestinos, inclusive escolas, hospitais psiquiátricos e organizações de mulheres.

Santos esteve em Ramallah nesta semana - sua terceira visita nos últimos três anos. Ela disse à BBC Brasil que "usando o método brasileiro, o Ashtar está desenvolvendo todo um movimento na Palestina".

"A equipe do Ashtar é dedicada à sociedade e quer ter uma intervenção nas questões que afligem as pessoas, e o Teatro do Oprimido lhe ofereceu instrumentos para esse trabalho", disse ela.

'Necessidades'

Edward Muallem, diretor do Ashtar, concorda. "Esta cooperação está sendo muito importante para nós, estamos aprendendo muito com os métodos brasileiros”, disse.

“Temos tantas opressões aqui na Palestina, tanto sociais como políticas, e sentimos que esses métodos estão atendendo às necessidades reais da população."

"Nosso teatro dá às pessoas uma oportunidade para participar e expressar seus sentimentos e opiniões, e sentimos que o público está gostando muito", disse Muallem.

"Além da opressão evidente que é a ocupação israelense - que faz sofrer toda a sociedade palestina -, existem vários tipos internos de opressão, como a violência contra a mulher, o casamento precoce, a violência nas escolas, a repressão cultural", afirmou Santos.

"O teatro que fazemos trabalha com todas essas questões, propondo a reflexão e o diálogo sobre todos os aspectos da vida em comunidade. Muitas dessas questões são delicadas, pois passam pela religião e pela família, mas é preciso jogar uma luz sobre elas."

Fórum

Santos explicou que uma das técnicas do Teatro do Oprimido é o "Teatro Fórum", no qual o público é convidado a discutir as questões e situações apresentadas no espetáculo.

"Percebo uma sede muito grande de participação por parte da audiência palestina, embora haja um certo ceticismo quanto à possibilidade de mudança", disse ela.

Bárbara Santos dirigiu a peça História de Mona, montada pelo Ashtar, que relata a tragédia de uma menina de 14 anos que resiste a um casamento forçado pela família e acaba sendo espancada até a morte.

Neste espetáculo, o grupo usou a técnica chamada "Teatro Legislativo", e depois de assistir à peça o público foi convidado a propor leis que poderiam contribuir para resolver os problemas apresentados.

Depois de uma discussão, o público também votou e a proposta de elevar a idade mínima para o casamento, para 18 anos, obteve a maioria dos votos. De acordo com a religião muçulmana, a mulher pode se casar a partir dos 14 anos.

"O teatro pode ser um instrumento de desmecanização, tanto física como mental", disse Santos. "Nosso método pode contribuir para a criação de um novo momento."

'Sem esperanças'

A diretora, porém, mencionou que esta visita à Palestina foi "mais deprimente do que as outras".

"Das outras vezes, vi mais violência, mas também havia mais dinamismo. Agora percebi muito mais tristeza e desesperança nas pessoas, uma sensação de sufoco e de perda. Parece que a situação aqui fica cada vez pior, os assentamentos (israelenses) cresceram, o muro foi construído, o Hamas ganhou as eleições", disse ela.

"Há um certo receio, não se sabe se haverá condições para a continuação do trabalho, muito vai depender da ajuda de fora."

Edward Muallem também expressou sua preocupação com o futuro do Ashtar. "Temo que nosso trabalho seja afetado pelas circunstâncias políticas. Em conseqüência da vitória do Hamas, a União Européia e os Estados Unidos suspenderam o apoio econômico à Autoridade Palestina. As ONGs palestinas também podem ser prejudicadas pelo boicote econômico internacional e grande parte do orçamento do nosso teatro vem de contribuições de países europeus".

 
 
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