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Atualizado às: 17 de maio, 2006 - 01h51 GMT (22h51 Brasília)
 
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Entenda a queda do dólar
 

 
 
Especuladores têm vendido dólares e comprado ouro
O dólar americano está despencando nos mercados de moedas em todo o mundo e colocando pressão sobre os mercados de ações.

Mas qual é a razão desta queda? Por trás dela está o enorme déficit comercial dos Estados Unidos, que continua a crescer, somado ao déficit do orçamento federal.

Por muitos anos os mercados financeiros assistem com preocupação os americanos importando muito mais do resto do mundo do que exportando.

E criando o que é hoje um déficit comercial de US$ 742 bilhões (cerca de R$ 1,6 trilhão), equivalente a 7% do tamanho da economia americana. E sem sinais de queda.

Dólares na Ásia

Ao mesmo tempo, cortes de impostos (menos arrecadação para o governo) e os custos da guerra no Iraque estão mantendo o déficit do orçamento americano em torno de US$ 400 bilhões (R$ 863 bilhões), apesar de a economia ir bem.

Muito do problema do déficit comercial tem a ver com o comércio dos EUA com países asiáticos como a China, o Japão e a Coréia do Sul, que vendem muito mais para os americanos do que compram.

Estes países acumularam reservas internacionais (graças ao saldo de suas balanças comerciais) de quase US$ 1 trilhão (R$ 2,15 trilhões). Uma boa parte deste dinheiro está em títulos do Tesouro americano - em dólares.

Portanto, os títulos do Tesouro estão financiando os dois déficits: o comercial e o orçamentário.

Este gigantesco desequilíbrio global está ameaçando tirar a economia mundial dos trilhos, segundo alerta vindos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de outras organizações internacionais.

Ajuste de cotações

A economia clássica dita o ajuste da cotação do dólar para resolver problemas deste tipo, tornando os produtos americanos mais baratos e os produtos asiáticos mais caros.

Mas muitas das moedas asiáticas, especialmente o iuan chinês, não flutuam livremente nos mercados internacionais de moedas.

Os Estados Unidos têm pressionado a China para reavaliar sua moeda, sem sucesso. E agora os mercados tomaram a tarefa para si e estão forçando o dólar a cair.

Especuladores têm vendido dólares e não estão comprando só moedas fortes como o euro e o ien japonês nos últimos meses. Eles também estão comprando mercadorias, como ouro e petróleo, forçando altas ainda maiores nos preços dos últimos dois.

Em longo prazo, a queda do dólar pode reduzir o déficit comercial e alavancar as exportações americanas.

Mas é um longo processo, cheio de perigos. O FMI, a organização encarregada de vigiar a economia mundial, está preocupado e seu diretor-gerente, Rodrigo Rato, alertou na reunião semestral do órgão, em abril que "uma liberação desordenada dos desequilíbrios globais seria muito danosa".

Perigos

Uma queda muito rápida do dólar poderia causar problemas como inflação e, conseqüentemente, alta de juros. Os juros foram elevados 15 vezes e estão a 5% ao ano.

E empresas que dependem de vendas e lucros vindos dos EUA também poderiam ser afetadas com a queda de demanda por seus produtos. Empresas como Toyota e Sony, por exemplo, são particularmente vulneráveis.

Os governos asiáticos e investidores podem sentir-se tentados a vender dólares, mas isto poderia enfraquecer ainda mais a moeda americana. E forçaria o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) a aumentar a taxa de juros.

A China reluta em deixar que sua moeda se valorize em relação ao dólar, porque teme que os investimentos no país fiquem mais caros para os estrangeiros.

Acordo Plaza

O problema com dólar já aconteceu antes, nos anos 80, quando o Japão era visto como a ameaça que hoje seria a China.

Naquela época, um acordo batizado de Plaza foi fechado entre os países industrializados para promover uma queda controlada do dólar, coordenada pelos bancos centrais.

O governo americano é contra um acordo parecido, porque acredita que os mercados resolvem os problemas que encontram pela frente.

E pelo enorme tamanho do mercado de moedas estrangeiras no mundo, seria difícil para os bancos centrais controlarem hoje em dia uma intervenção do gênero.

O que parece é que, sem acordo, os mercados finalmente decidiram que déficits americanos são insustentáveis o dólar tem que cair.

 
 
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