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Atualizado às: 26 de maio, 2006 - 13h44 GMT (10h44 Brasília)
 
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Após 6 anos, Plano Colômbia ainda gera polêmica
 

 
 
Soldados americanos treinaram soldados colombianos
Militares americanos treinaram soldados colombianos
Quase seis anos depois de sua implementação, o Plano Colômbia de combate às drogas ainda gera polêmica entre especialistas e analistas políticos.

“O Plano Colômbia é um fracasso histórico”, disse o professor argentino de relações internacionais Juan Gabriel Tokatlian, que viveu quase 20 anos em Bogotá.

“O Estado colombiano não teria condições para lutar contra a guerrilha, o narcotráfico e os paramilitares se não fosse a participação dos Estados Unidos, principalmente no fortalecimento da Polícia e do Exército”, afirmou o analista colombiano Alfredo Rangel, da Fundação Segurança e Democracia.

Para Rangel, essa ajuda é “decisiva” para se tentar recuperar a segurança em todo país.

Segundo Tokatlian e Rangel, no entanto, o Plano Colômbia não reduziu a produção de cocaína no país, apesar da extradição para os Estados Unidos de, pelo menos, 350 colombianos envolvidos com o tráfico de drogas.

PIB

A Colômbia ainda é o maior produtor mundial da droga, representando entre 80% e 90% da fabricação global, e estima-se que a produção nacional de cocaína seja de 400 toneladas anuais.

“(A produção equivale a) pelo menos 5% a 6% do PIB, o que levou o governo a incluí-la, há cerca de três anos, no cálculo do Produto Interno Bruto. Muitas regiões ainda vivem do narcotráfico, principalmente no sul do país”, afirmou o cientista político e professor da Universidade de Rosário, Rubén Sánchez.

Entre 2000 e 2005, dentro do Plano Colômbia, o governo americano injetou US$ 4 bilhões no combate à plantação da folha de coca e de maconha no país.

Foram erradicados anualmente, de acordo com Tokatlian, 100 mil hectares destes cultivos, mas em março de 2006, disse ele, a área plantada ainda era de 144 mil hectares.

“Extermina-se de um lado e planta-se de outro”, disse Sánchez.

Apesar destes resultados, para os três analistas ouvidos pela BBC Brasil o mérito do Plano Colômbia foi o fortalecimento das Forças Armadas colombianas e sua maior profissionalização, a partir dos treinamentos com soldados americanos.

Combate à guerrilha

“O Plano Colômbia funcionou para evitar que a guerrilha avançasse mais”, disse Rangel.

“A guerrilha não respeita o Estado e continua atuando onde sempre atuou. A exceção está no entorno de Bogotá e em algumas cidades onde suas redes logísticas e de apoio foram desativadas.”

Para Sánchez, o Plano Colômbia evitou que a guerrilha cumprisse a promessa de entrar com intensidade na capital colombiana, onde está a maior concentração de habitantes do país.

Todas as ações, destacou Rangel, foram realizadas “exclusivamente” por militares colombianos.

“Parte da ajuda dos Estados Unidos foi no treinamento das tropas, mas nunca houve intervenção direta dos soldados americanos na luta contra a guerrilha, contra paramilitares ou outros grupos na Colômbia.”

Rangel recordou que o Plano Colômbia foi criado quando Bill Clinton era presidente dos Estados Unidos, e Andrés Pastrana estava à frente da Colômbia.

Neste período, segundo dados oficiais, o exército manteve-se com 160 mil integrantes e a polícia com 130 mil membros.

Ao responder se o governo já pode dizer que vem ganhando a luta contra a guerrilha, Rangel, que há anos dedica-se ao estudo da segurança, afirmou que “não podemos dizer que a guerrilha vem perdendo essa guerra, mas o Estado também não a está perdendo”.

Para ele, ainda falta muito para acabar esse empate na Colômbia, já que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, principal guerrilha de esquerda do país), afirmou, estão longe de serem destruídas e em muitos locais continuam “intactas”.

 
 
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