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Atualizado às: 30 de maio, 2006 - 15h58 GMT (12h58 Brasília)
 
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Guerra contra Farc ainda é maior desafio de Uribe
 

 
 
Farc
Estima-se que o grupo reúna pelo menos 18 mil pessoas
Os soldados colombianos, com apoio estratégico e financeiro dos Estados Unidos, travam, na selva da Colômbia, uma guerra como a do Vietnã, na opinião de uma alta fonte militar de um país do Cone Sul, que vive em Bogotá e tem acesso direto às ações de combate do governo Uribe.

“As Farc são formadas por três gerações que combatem em lugares que conhecem. Já os soldados colombianos lutam num terreno desconhecido, com selva, montanha, malária e a surpresa das minas, espalhadas por todos os lados”, disse o militar em entrevista à BBC Brasil, na capital colombiana.

Segundo dados da ONU, a Colômbia, principal produtor mundial de cocaína, é o país que reúne maior número de minas do planeta. Elas são chamadas pelos militares de “quiebra-patas” (quebra-pernas) e, freqüentemente, atingem crianças e adultos, que acabam mutilados ou mortos.

O Brasil enviou quatro soldados do Exército, especializados neste desarme, para cooperar com a Colômbia. A missão faz parte do pacote de ajuda que vem sendo implementado no território colombiano pelo G-24, grupo que reúne ainda Argentina, Chile, México, Japão, Canadá, Estados Unidos e países europeus.

Sem fim

Essa guerra colombiana começou há quatro décadas e por suas ramificações – guerrilha, droga, seqüestro e expansão - parece longe de ter data para terminar.

Segundo dados dos militares, as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) estão em pelo menos oito dos 32 departamentos (Estados) do país e concentrados, principalmente, naqueles que dão acesso ao Oceano Pacífico, na fronteira com o Equador. “Sem dúvida, um dos corredores da droga (cocaína)”, observou.

Já é praticamente comum a notícia de que aviões colombianos invadiram território equatoriano para capturar traficantes de cocaína. E apesar das ações coordenadas com outros países, dos US$ 4 bilhões que os Estados Unidos investiram no chamado Plano Colômbia, de combate ao narcotráfico, nenhum grande líder do negócio ilícito ou secretário das Farc foi preso, como recordaram o militar e uma fonte da polícia brasileira que conhece bem a luta da Colômbia.

Muitos dos mais de sete mil guerrilheiros que se entregaram ao governo têm entre 16 e 22 anos, como reconheceram fontes da administração Uribe.

A cooperação internacional e as ações do governo do presidente reeleito Álvaro Uribe já foram úteis, no entanto, reconhecem civis e militares, para evitar que os atentados dos guerrilheiros sufocassem as grandes cidades, como Bogotá, Medellín e Cali – que ficaram com a imagem dos cartéis da droga e das explosões, mas hoje registram quedas bruscas nos índices de homicídios e seqüestros e aumento do turismo internacional.

“É visível que o presidente Uribe está empurrando a guerrilha e o narcotráfico para as áreas rurais”, disse um observador do governo brasileiro que vive em Bogotá.

O combate à guerrilha e ao narcotráfico continua sendo o principal desafio do presidente Uribe que governará o país por mais quatro anos. Estima-se que existam, pelo menos, 3,5 mil pessoas seqüestradas pela guerrilha no país (dos quais 2,5 mil em mãos das Farc, 640 com o grupo ELN – Exército de Libertação Nacional – e cerca de 400 com os paramilitares reunidos na AUC – Autodefesas Unidas da Colômbia).

O drama desta guerra inclui ainda as famílias expulsas de suas terras pela guerrilha e pelos traficantes. Um número que o governo Uribe garante ter reduzido em 63% nos quatro anos de seu primeiro governo, mas que, para organismos internacionais e fontes militares, superaria os números oficiais.

“Essa guerra tem três possibilidades: que a guerrilha continue dominando a selva, que o governo negocie com os guerrilheiros ou que fique tudo como está”, disse o militar, que conhece a trama colombiana.

Hoje, muitos se perguntam em Bogotá se Uribe realmente negociará com as Farc, como disse durante a campanha eleitoral.

Estima-se que o grupo reúna pelo menos 18 mil pessoas. E que, segundo fontes dos familiares de seqüestrados, não pretende, pelo menos neste momento, sentar-se para negociar com Uribe. Trata-se de uma história que, segundo diferentes analistas, envolve tragédias, dinheiro (com o narcotráfico) e queda de braço da guerrilha com o poder político.

 
 
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