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Atualizado às: 14 de julho, 2006 - 10h32 GMT (07h32 Brasília)
 
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Putin quer reafirmar poder russo em reunião do G8
 

 
 
Vladimir Putin
Vladimir Putin tem adotado uma democracia à moda russa
Há pouco mais de 300 anos, o imperador Pedro, o Grande, construiu a magnífica São Petersburgo como parte dos esforços para ganhar um lugar para a Rússia na galeria dos poderosos da Europa.

Neste fim de semana, é a vez de Vladimir Putin ter um momento de grandeza em São Petersburgo, sua cidade natal, na condição de anfitrião da reunião do G8.

Um presidente russo é pela primeira vez o dono da festa anual, mas o ambiente é desconfortável, apesar de toda a finesse diplomática que se avizinha.

O G8 é o clube exclusivo das democracias mais ricas do planeta. Pelas medidas mais objetivas, a Rússia de Putin está longe de ser muito rica e é cada vez menos democrática. Mesmo assim está no clube, ao contrário da quarta economia mundial (a China) ou da democracia mais populosa (a Índia). E o Brasil? Não merece uma carteirinha de sócio?

Boicote

Pressões por um boicote da reunião em São Petersburgo feitas por políticos americanos, com destaque para o senador republicano e provável candidato presidencial John McCain, não decolaram.

Eram pressões irrealistas, embora também houvesse muito otimismo quando o G8 decidiu no remoto ano de 2002 que a Rússia deveria ser a anfitriã na reunião deste ano. A idéia era dar dois recados ao mundo: o país estava emergindo do buraco pós-soviético e, mais do que isso, se integrava solidamente na confraria das nações ocidentais.

O ressurgimento é indiscutível. Na economia em grande parte foi graças aos preços do petróleo e do gás.

O império soviético implodiu, mas a estratégia da Rússia agora na corrida global é se tornar uma "superpotência energética". Putin, no poder desde 2000, de fato trouxe lei e ordem, mas o preço é salgado.

O país é uma "democracia administrada", ou como diz o ideólogo do Kremlin, Vladislav Surkov, uma "democracia soberana". Tradução: tudo é feito à moda russa.

Geopolítica

Em termos geopolíticos, esta reunião em São Petersburgo deveria cimentar os laços da Rússia com os outros sócios do clube G8. O que está mais do que visível é o aumento do fosso.

Putin colide com europeus sobre energia - que na acusação do vice-presidente americano, Dick Cheney, é utilizada como ferramenta de intimidação política - e desconfia da cruzada democrática dos americanos no antigo território soviético. Existe ainda a aproximação com a China, que os mais alarmistas consideram o embrião de uma nova Guerra Fria devido à formação de um eixo autoritário.

Esse temor parece exagerado, mas não há dúvida que as relações da Rússia com EUA e Europa têm oscilado vertiginosamente, da rivalidade da Guerra Fria para a desordenada amizade dos tempos de Boris Yeltsin. Agora são relações mais geladas com Putin, marcadas por mútua dependência.

Apesar das tensões, o consenso no establishment político em Moscou é de que Rússia e EUA devem manter uma razoável afinação em questões de segurança, em particular no combate ao terror e ao fundamentalismo islâmico. Basta ver como o presidente Bush saudou nesta semana a morte do líder rebelde na Chechênia, Shamil Basayev.

Já em Washington, existe o reconhecimento tático de que os americanos precisam mais dos russos do que o contrário. Estão aí o empenho do governo Bush para conseguir o acordo que permita o acesso russo à Organização Mundial de Comércio (OMC) e a disposição para não fazer alarde público durante a reunião do G8 sobre a deterioração democrática na Rússia.

Washington e seus aliados europeus (e também o Japão) precisam da Rússia (e da China) para persuadir diplomaticamente o Irã e a Coréia do Norte a abandonar suas ambições nucleares

A Rússia que ressurgiu não é a rica democracia dos sonhos ocidentais, mas tem capital econômico e político para alterar alguns regulamentos do exclusivo clube G8. Os incomodados não devem cair fora desse clube, e a lista de espera cresce.

 
 
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