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Atualizado às: 24 de julho, 2006 - 15h56 GMT (12h56 Brasília)
 
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Europeus vão boicotar soja 'desmatada'
 

 
 
Fazenda produtora de soja em Santarém, no Pará
Greenpeace: Cultivo na Amazônia não obedece critérios legais
A divisão européia do McDonald's e alguns dos principais supermercados, companhias de alimentos e cadeias de lanchonetes da Europa afirmam que vão boicotar a soja cultivada ilegalmente na Amazônia.

A iniciativa se deu após uma campanha da organização ambiental Greenpeace, que afirma que a maior parte da soja brasileira provém de áreas desmatadas na Amazônia, fazendas cujos proprietários não têm direito legal à terra que cultivam e até mesmo de fazendas que usam mão-de-obra escrava.

"Companhias como McDonald's, Waitrose e Asda (duas das maiores cadeias de supermercados britânicas), além de empresas da França, Alemanha e Bélgica, estão exigindo que produtores de soja no Brasil não utilizem grãos de regiões que sofreram desmatamento e também que a soja que estão comprando tenha procedência legal", disse à BBC Brasil John Sauven, diretor de campanhas do Greenpeace.

Em um comunicado divulgado nesta segunda, a vice-presidente da divisão européia do McDonald's, Karen van Bergen, disse que sua companhia segue uma política de longa data de não utilizar carne proveniente de áreas que foram desmatadas na Amazônia, "por isso, é importante que adotemos a mesma política em relação à soja".

No texto, o McDonald's afirma ainda que a empresa, o Greenpeace e diversas outras companhias e ONGs estão promovendo discussões com companhias que fornecem soja brasileira usada como ração animal na Europa. "Estamos confiantes que as conclusões dessas discussões propiciarão um forte apoio aos esforços do governo brasileiro (e de outros governos) em impedir que a Floresta Amazônica sofra mais destruição".

Resposta

O Greenpeace disse que o projeto foi exposto às principais empresas produtoras de soja na Amazônia - as multinacionais americanas Cargill, Bunge e ADM e a brasileira Grupo André Maggi, de propriedade do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi. Segundo o Greenpeace, as companhias devem se pronunciar dentro das próximas 48 horas.

A organização afirma estar confiante de que as empresas irão aderir à iniciativa, ainda que acredite que os produtores de soja têm feito vista grossa para práticas ilegais de fazendeiros na Amazônia.

"Se um fazendeiro adquiriu terra ilegalmente, por que uma companhia como a Cargill está negociando com ele? Um comerciante de automóveis tem duas opções: comprar um carro legalmente em uma loja ou aquirir um carro roubado no mercado negro. É exatamente o que estamos dizendo aos produtores de soja."

Práticas ilegais

Pela lei brasileira, proprietários de terras em áreas consideradas de conservação ambiental têm de preservar 80% da terra e só podem desmatar 20%. Mas o Greenpeace afirma que a maior parte das fazendas que cultivam soja na Amazônia não obedece esse critério. A entidade afirma também ter se deparado com inúmeros casos de trabalho escravo em áreas de plantio de soja, em especial no Estado do Pará.

No entender da organização, o governo brasileiro é em grande parte responsável pelo que descreve como uma situação catastrófica.

"Deveria haver uma moratória do desmatamento da Amazônia até que o governo brasileiro consiga estabelecer que áreas da floresta serão exploradas e quais serão usadas para desenvolvimento sustentável. Não é possível manter um sistema anárquico, que não é regido nem pela legalidade nem pela governança. É isso que as companhias alimentícias estão exigindo", afirma Sauven.

De acordo com o representante do Greenpeace, "a floresta está sendo destruída em uma proporção impressionante. A situação está fora do controle. O que se passa lá é catastrófico. O futuro do Brasil depende disso. E o governo brasileiro precisa impor a lei, precisa agir com seriedade".

 
 
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Executivo compra terra para preservação.
 
 
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