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Atualizado às: 11 de agosto, 2006 - 23h23 GMT (20h23 Brasília)
 
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Militares de Israel agem sob a sombra do Iraque
 

 
 
Equipe de lançamento de foguetes do Hezbollah (foto de arquivo)
Equipe de lançamento de foguetes do Hezbollah (foto de arquivo)
O confronto entre Israel e o grupo militante Hezbollah é evidentemente desequilibrado. Israel é uma potência militar com forças aéreas, marítimas e terrestres sofisticadas à sua disposição.

No princípio, as operações militares de Israel contra o Hezbollah confundiram observadores experientes não apenas em outros países como também em Israel.

Um dos analistas mais notáveis de Washington, Anthony Cordesman, se disse confuso quanto aos objetivos gerais de Israel, notando que os resultados destas operações "podem ser estrategicamente tão autodestrutivos quanto a invasão do Líbano por Ariel Sharon em 1982".

Escrevendo no final de julho, no início do conflito, Cordesman notou que o desempenho de Israel não parecia "extraordinário em estratégia ou execução".

O mais antigo comentarista militar israelense, o jornalista veterano do jornal Haaretz Zeev Schiff, concluiu que no final das duas primeiras semanas de luta Israel estava distante de uma vitória decisiva e seus principais objetivos não tinham sido alcançados.

Há, segundo o jornalista, "grandes lições a ser aprendidas".

O fato de nesta semana o subcomandante das Força de Defesa de Israel (FDI), general Moshe Kaplinski, ter assumido o comando das operações da frente norte de combate, é o sinal mais claro até o momento de que as coisas não estão indo de acordo com o planejado.

E analistas israelenses sugerem que há problemas mais amplos no que pode ser chamado de "dinâmica de comando".

Estilo americano

O fato de o atual comandante militar de Israel, o general Dan Halutz, ser da Força Aérea tem sido muito comentado.

A resposta inicial da força israelense ao seqüestro de seus dois soldados e à morte dos companheiros dos soldados dentro do território israelense, por ação de uma unidade do Hezbollah, foi lançar uma intensa operação aérea.

A decisão de confiar na força dos ataques aéreos foi o resultado de circunstâncias maiores, uma delas pode ser chamada de "americanização" dos militares israelenses.

Durante os exercícios militares americanos sempre há vários observadores israelenses, uma manifestação das ligações entre as forças armadas dos dois países.

Ação

Sem se envolver em operações militares mais intensas desde o início dos anos 80, os militares israelenses passaram por uma transformação.

Durante anos os militares se concentraram principalmente em operações menos intensas contra combatentes palestinos com poucas armas.

A guerra em larga escala contra um Exército oficial de um país vizinho ficou menos provável, apesar de ainda existir o risco de que o atual conflito no Líbano, se continuar, envolva a Síria.

O período em que militares ficam obrigatoriamente na reserva diminuiu, treinamento e prontidão foram afetados.

O planejamento militar a longo prazo em Israel, como no Pentágono, se concentrou mais e mais em tecnologia, uma tendência mais marcante ainda na sociedade de alta tecnologia que é Israel.

Israel é, provavelmente, mais próximo dos Estados Unidos em sua implementação da chamada "revolução no setor militar" - a combinação de informações secretas reunidas em tempo real com poder de fogo com precisão - do que qualquer aliado que Washington tem na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança militar ocidental).

Problemas

Como resultado, os militares israelenses se encontram na sombra da operação no Iraque.

Este é o novo estilo ocidental de guerra, visto nos Bálcãs, no Afeganistão e, é claro, no Iraque.

Observa-se o enorme investimento no poder de fogo de operações aéreas, apesar de que, em cada um dos casos, este poder aéreo nunca proporcionou tudo o que era previsto por seus defensores.

A caçada por importantes líderes do Hezbollah tem paralelos com a tentativa de estrangular o governo de Saddam Hussein com ataques em todo o Iraque. E, novamente observa-se que unidades irregulares porém bem equipadas conseguem atingir até mesmo as unidades blindadas israelenses.

Assim como no Iraque esta é uma guerra assimétrica, os mais fortes em termos de tecnologia não conseguem necessariamente subjugar a força insurgente e militarmente mais fraca.

A "revolução militar" não serviu bem a nenhum dos dois países. Reduzindo o combate a um problema essencial de gerenciamento de informações é muito bom, mas a qualidade da informação raramente está à altura.

A falta de informações secretas táticas confiáveis prejudicou as operações americanas no Iraque e novamente mostrou ser um problema no Líbano.

Opção

Com um homem da Força Aérea no comando, a "americanização" do pensamento militar israelense e um ministro da Defesa e primeiro-ministro com pouca experiência prática em comando militar, todos estes fatores juntos determinam o caminho de Israel.

Se o Plano A - a campanha aérea - e o Plano B - incursões terrestres limitadas - não funcionaram, o gabinete de segurança israelense apoiou um Plano C - um que propõe uma invasão terrestre mais ampla no sul do Líbano.

Mas nesta hipótese também paira a sombra do Iraque e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, está hesitando.

Olmert sabe que tal operação pode levar a muitos mortos e feridos do lado israelense e durar semanas.

Não é uma opção atraente para ninguém. Não é de se espantar então que os diplomatas na ONU pareçam ter recebido uma última chance.

 
 
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