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Atualizado às: 28 de setembro, 2006 - 09h17 GMT (06h17 Brasília)
 
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Para ambientalistas, Amazônia é a grande ausência da campanha
 

 
 
Devastação da floresta amazônica, em foto aérea feita pelo Greenpeace
Áreas desmatadas ilegalmente são problema grave na Amazônia
A Amazônia é a grande ausente nos programas de campanha para a presidência, segundo dois dos mais conceituados especialistas americanos no tema: Thomas Lovejoy, presidente do instituto de pesquisas ambientais Heinz Center, e o antropólogo Steve Schwartzman, co-diretor da divisão internacional do Environmental Defence, uma das principais ONGs ambientais dos Estados Unidos.

''O fato de a Amazônia não ser nem tema de campanha é preocupante e nos leva a pensar que ela também não será tema para o próximo governo'', afirma Lovejoy.

Para Steve Schwartzman, a suposta ausência da Amazônia entre os assuntos da campanha é ''decepcionante, dado o enorme patrimônio que é a floresta para o Brasil, e ainda mais se levarmos em conta que o atual governo teve muitos sucessos nesta área''.

Seu colega Lovejoy também vê exitos na política governamental para a região, mas acha que falta ao governo inserir a Amazônia em um plano de ação mais amplo.

''A Amazônia foi colocada às margens, quando deveria fazer parte do planejamento geral do governo. É preciso pensar de forma integrada. Temas amazônicos têm de fazer parte de um contexto maior.''

Estratégia integrada

Dentro dessa política integrada, Lovejoy acredita que é preciso saber de antemão o impacto ambiental de determinadas políticas governamentais.

''Por exemplo, o que representa para a região o projeto hidrelétrico para o rio Madeira. Ele irá causar mais desmatamento, irá afetar as populações locais?'', indaga o presidente do Heinz Institute em referência ao projeto de construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, em Roraima.

Na opinião do ambientalista, em contraste com a postura do governo, ''Estados como Acre e Amazonas tiveram um enfoque mais integrado, porque entenderam que o futuro de seus Estados depende do futuro da floresta''.

Para Schwartzman, a própria política governamental acaba por facilitar a ação daqueles que o governo visa combater, como por exemplo os grileiros - fazendeiros que se apropriam ilegalmente de terras na região, muitas vezes expulsando ou ameaçando pequenos proprietários.

Ele cita como exemplo a demora em asfaltar a BR-163, estrada que liga Cuiabá, no Mato Grosso, a Santarém, no Pará. Desde o início de seu mandato, o governo vem defendendo o asfaltamento da estrada como um projeto prioritário, uma vez que esta propiciaria um escoamento para os grãos produzidos no Centro-Oeste do país de forma mais rápida e econômica. O projeto já foi discutido e endossado por comunidades nas imediações da área cortada pela estrada.

''Mas por que o governo não promove a pavimentação de uma vez? Quando eles anunciam que vão asfaltar, mas não o fazem, o pessoal vai chegando. E os grileiros começam a ser atraídos para a região. Esse adiamento só piora tudo.''

Áreas de proteção

O antropólogo preza o trabalho que o Ministério do Meio Ambiente fez na criação de ''milhões de hectares de áreas de proteção ambiental'', mas acrescenta que ''o problema é que o ministério não conta com uma equipe grande o suficiente para garantir essa proteção''.

Ele afirma que isso pode ameaçar conquistas importantes, como a criação de uma vasta área de conservação de 3,7 milhões de hectares na chamada Terra do Meio, região no Pará que vinha sendo objeto de cobiça de madeireiros ilegais atraídos pelo avanço da fronteira agrícola a partir do Mato Grosso e onde houve numerosos casos de violência contra habitantes de comunidades locais.

Para Schwartzman, reforçar a fiscalização será um tópico central de um possível segundo governo Lula. ''É preciso continuar com a presença policial para mostrar que não é OK promover clareiras em terras públicas e cultivar gado nessas áreas. É necessário mostrar o que acontece com quem quebra a lei. Mas isso não é fácil de fazer em uma área remota.''

Na opinião de Lovejoy, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o presidente do Ibama, Marcus Barros, ''estão fazendo um trabalho excelente e têm realizado iniciativas importantes, como a demarcação de áreas na Terra do Meio, mas se eles não receberem amplo apoio do governo, não têm como proteger a Amazônia como um todo''.

 
 
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