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Atualizado às: 04 de outubro, 2006 - 10h31 GMT (07h31 Brasília)
 
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Empresas dos BRICs no exterior são as que 'mais subornam'
 
Multinacionais de países ricos mantêm 'duplo padrão ético', diz TI
O suborno transnacional por parte de potências exportadoras emergentes é "desconcertantemente elevado", diz um estudo da da ONG Transparência Internacional (TI) divulgado nesta quarta-feira.

A pesquisa internacional, baseada em respostas colhidas de mais de 8 mil empresários em 125 países, analisou a propensão ao pagamento de suborno de empresas dos 30 maiores países exportadores. O Brasil ficou em 23º lugar.

Os últimos colocados na lista foram Rússia, China e Índia - que formam, com o Brasil, os países da BRIC, sigla criada para designar os países tidos como prováveis potências econômicas do futuro.

Já as firmas suíças, suecas e australianas são consideradas menos propensas a oferecer propinas no exterior. Mas o executivo-chefe da organização, David Nussbaum, disse que a lista dos países “não tem vencedores”.

Critérios duplos

“É hipócrita que países (ricos) continuem a distribuir propinas em todo o globo, enquanto seus governos fingem apoiar leis (anticorrupção)”, ele afirmou.

O estudo da Transparência Internacional também conclui que as grandes multinacionais mundiais obedecem a critérios éticos “duplos” em operações domésticas e em países mais pobres.

Em 1999, os países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE, considerada como um clube de países industrializados) firmaram uma convenção que transforma em crime o suborno internacional.

Desde então, no entanto, apenas oito casos de corrupção no exterior foram levados à justiça francesa, segundo a Transparência Internacional. Na Holanda e na Inglaterra, nenhuma empresa foi criminalizada.

“Há uma verdadeira falta de vontade política dos governos dos países ricos para obrigar as empresas de seus países a cumprir leis anticorrupção”, disse a diretora regional para as Américas da organização, Silke Pffeifer.

“O índice mostra que eles não estão fazendo o suficiente para reduzir a corrupção no exterior”.

Silke Pffeifer disse que as empresas de países ricos adotam um “duplo padrão” ético ao atuar nos países menos pobres.

Companhias francesas, por exemplo, receberam notas altas na Europa (7,37), mas tiveram seu comportamento questionado na África (5,43).

Em geral, as empresas trataram de obter boas notas na Europa, enquanto nos países africanos as médias mais baixas podem indicar que elas são mais corruptas no exterior que dentro de casa, afirmou a ONG.

Doméstico x Externo

 É hipócrita que países ricos continuem a distribuir propinas em todo o globo, enquanto seus governos fingem apoiar leis anticorrupção.
 
David Nussbaum, executivo-chefe da Transparência Internacional

Curiosamente, o Brasil foi mais bem avaliado na África que nos países ricos. Mas isto pode resultar apenas do pouco intercâmbio do país com a região.

Para a diretora de Américas, a avaliação demonstra que existe no caso brasileiro uma correlação entre o nível de corrupção doméstico e externo.

“(As más notas do Brasil no exterior) mostram que o problema de corrupção doméstica no Brasil é tão grande dentro quanto fora”, disse Silke Pfeiffer.

“Já as empresas da OCDE operam em um duplo padrão ético.”

A diretora chamou atenção para o caso da empresas mexicanas, que receberam as melhores notas entre as latino-americanas, apesar de corrupção figurar entre os principais problemas domésticos.

“O México, por negociar muito com os Estados Unidos, é um caso à parte. As empresas mexicanas parecem ter se acostumado a operar num ambiente mais institucionalizado”, disse Silke Pfeiffer.

 
 
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