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Atualizado às: 05 de novembro, 2006 - 14h56 GMT (11h56 Brasília)
 
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Eleição nos EUA poderá repetir falhas de 2000
 

 
 
Congresso dos EUA
Analistas dizem que problemas costumam surgir em eleições muito acirradas
O sistema eleitoral em vigor nos Estados Unidos segue sendo deficiente e distorções semelhantes às que foram vistas nas eleições presidenciais de 2000 e 2004 poderão se repetir na votação da próxima terça-feira.

É essa a opinião de autores de livros sobre fraude eleitoral e falhas envolvendo os diferentes sistemas de votação em vigor nos Estados Unidos.

Eles prevêem problemas na eleição em que os americanos elegerão 36 dos 50 governadores do país, os 435 membros do Congresso e um terço do Senado.

"Os problemas costumam surgir nas eleições americanas em disputas que estão muito acirradas e nas quais o partido que está no poder se mostra propenso a interferir no processo de votação, como já ocorreu antes. Quando estes dois fatores se aliam, é quase certo que várias regras serão quebradas e a votação tomará um rumo sujo", diz Andrew Gumbel, correspondente em Los Angeles do jornal britânico The Independent e autor de Steal this Vote (Roube Este Voto, em tradução literal).

O jornalista cita como exemplos os casos da Flórida, na eleição presidencial de 2000, e do Ohio, na votação de 2004. Em ambos os casos, os secretários de Estados, respectivamente Katherine Harris e Ken Blackwell, acumulavam suas funções com as de líderes das campanhas locais do presidente George W. Bush.

"É um flagrante conflito de interesses. Não existem garantias no âmbito nacional ou local de que servidores públicos manterão sua isenção em relação ao processo eleitoral. Nestes dois casos eles tomaram decisões que tinham como objetivo claro favorecer o seu candidato", comenta.

Gumbel diz que de todos os casos que pesquisou o da Flórida é, não apenas o mais notório, mas também o mais chocante.

"As autoridades locais produziram uma lista que dizia que muitos eleitores não estavam aptos a votar, segundo as leis do Estado, porque ou estavam na prisão ou tinham antecedentes criminais. Mais tarde foi visto que a lista estava 95% incorreta e que os os milhares de eleitores que constavam da relação eram em sua maioria afro-americanos e potenciais eleitores de Al Gore", afirma.

Culpa compartida

O jornalista acredita, no entanto, que falhas do processo de votação nos Estados Unidos vão muito além de tentativas de beneficiar um ou outro partido.

"Tanto republicanos como democratas têm sua parcela de culpa, pois utilizam a mesma política em relação às autoridades eleitorais, cujas atividades não estão sujeitas a qualquer tipo de inspeção", diz.

Gumbel acrescenta que outro problema é a extrema descentralização do sistema de votação no país.

"Existem mais de 4 mil condados que tomam suas próprias decisões em relação à maneira como irão administrar a votação e que tipo de máquinas de voto eletrônico irão comprar."

O autor comenta que, por pressões comerciais, muitas autoridades eleitoriais locais acabam sendo persuadidas a comprar equipamentos ineficazes, cujo funcionamento não foi submetido a qualquer teste prévio.

Voto eletrônico

Gumbel diz que várias medidas foram tomadas para que não se repitam suspeitas como a que ocorreu na eleição presidencial há quatro anos, no Estado do Ohio, onde o presidente George W. Bush derrotou seu rival, o democrata John Kerry, por uma margem estreita de pouco mais de 100 mil votos.

Na ocasião, a empresa que respondia pelas urnas eletrônicas instaladas no Estado era a Diebold, cujo então presidente, Walden O'Dell, havia feito vultosas doações ao Partido Republicano e chegou a afirmar, um ano antes da votação, que estava comprometido a ajudar o Ohio a dar seus votos ao presidente.

"Hoje, ele não é mais o presidente da Diebold. Acreditar que a tecnologia é usada para favorecer um determinado político acaba desviando a atenção do verdadeiro problema", afirma o jornalista.

Ele acrescenta: "Altos executivos sempre terão uma tendência política. Não é realista querer que eles se abstenham de manifestá-las. O importante seria exigir formas de verificar a eficácia dos equipamentos usados na votação, garantir que urnas eletrônicas não estão sujeitas à ação de hackers ou suscetíveis a vírus fabricados pelos próprios funcionários da companhia que as criou."

Voto por correspondência

O jornalista do Wall Street Journal John Fund, autor de Stealing Elections (Roubando Eleições, em tradução literal), acredita que um dos riscos potenciais para a eleição é o voto por correspondência.

"Um total de 30 Estados permitem que qualquer um vote por correspondência sem exigir uma justificativa para a ausência no dia da votação. Em Estados como a Califórnia, o Arizona e Washington, mais da metade da votação será feita por correspondência. O Oregon foi além e em 2000 aboliu postos de votação e agora todo mundo vota pelo correio."

Segundo Fund, essa forma de votação poderá levar a uma longa demora em definir o partido que irá controlar o Congresso se a disputa entre republicanos e democratas for muito acirrada.

Motorista eleitor

Fund acredita que o problema não reside tanto em votações administradas localmente, mas sim em leis aprovadas pelo próprio governo federal, como a Motor Voter Act, aprovada em 1993.

"Essa lei permite que qualquer um esteja apto a votar após ter tirado carteira de motorista. Basta preencher um formulário e enviá-lo pelo correio. Não existe nenhuma exigência no sentido de provar que aquele suposto eleitor de fato existe."

Segundo Fund, graças a essa lei, "pelo menos oito dos dezenove seqüestradores que atacaram o World Trade Center e o Pentágono estariam aptos a votar na Virgínia ou na Flórida, onde eles se prepararam para os ataques de 11 de setembro".

 
 
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