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Português confessa ter feito bomba que matou premiê
 

 
 
Francisco Sá Carneiro, premiê português morto em 1980
Atentado em 1980 matou o primeiro-ministro Sá Carneiro
A revista semanal portuguesa Focus publica nesta quarta-feira uma entrevista com um militante de extrema-direita que confessa ter fabricado a bomba que matou, em 1980, o primeiro-ministro de Portugal, Francisco Sá Carneiro, e o ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa.

O artefato foi colocado no avião que levava as autoridades. O atentado, cometido no dia 4 de dezembro de 1980, provocou uma comoção política no país.

Segundo o texto da revista – a terceira mais vendida do país, com 34 mil exemplares semanais – o que aconteceu foi “uma sucessão de trapalhadas”.

Como o crime já prescreveu, por terem passado mais de 25 anos, o militante José Esteves não poderia ser mais julgado.

Falso atentado

De acordo com o depoimento de Esteves à revista, o objetivo inicial do artefato era provocar um falso atentado que aumentaria a popularidade do candidato de centro-direita às eleições presidenciais, o general Soares Carneiro, prejudicando a campanha de reeleição do general Ramalho Eanes.

O avião - que foi usado por Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa - levaria inicialmente apenas o candidato à Presidência Soares Carneiro de Lisboa para o Porto.

José Esteves, que militava no Movimento Democrático de Libertação de Portugal, de extrema-direita, conta que fez a bomba com o conhecimento do dirigente do partido Centro Democrático Social, de direita, Adelino Amaro da Costa, que acabou morrendo na queda do avião.

O artefato deveria, segundo os planos, causar um pequeno incêndio no avião, que pararia no final da pista para que o candidato Soares Carneiro fosse fotografado como vítima.

Na última hora, no entanto, Soares Carneiro decidiu usar um avião de carreira. A aeronave com o artefato acabou sendo utilizada pelo primeiro-ministro e pelo ministro da Defesa.

 É um escândalo que a Justiça não tenha funcionado. Já a quinta comissão parlamentar de inquérito, em 1994, tinha chegado a conclusões semelhantes
 
José Ribeiro e Castro, do Centro Democrático Social

Irã-Contras

Segundo Esteves, o piloto levantou vôo antes de o avião ter atingido a velocidade recomendada para decolagem, fazendo com que o engenho explodisse em pleno ar. A aeronave acabou batendo em fios de alta tensão e caiu sobre residências a alguns quilômetros do aeroporto lisboeta.

Além disso, Esteves diz que a bomba - que deveria detonar um pequeno incêndio - foi alterada para causar uma explosão maior.

Esteves acusa norte-americanos de trocarem os compostos da bomba provocando as mortes. Segundo ele, os Estados Unidos estariam interessados em assassinar o ministro Adelino Amaro da Costa, que teria ameaçado denunciar internacionalmente o escândalo do Irã-Contras.

Sobre as acusações de homicídio, Esteves defende-se dizendo que não cometeu assassinato. Disse apenas que fez a bomba, mas que não foi ele quem a colocou no avião.

À revista, Esteves contou que até hoje sofre conseqüências de seu ato. Não foi convidado para o casamento da filha e foi chamado de assassino pelo próprio pai.

Justiça

O caso foi o mais investigado da história da democracia portuguesa. Foram formadas oito comissões parlamentares de inquérito e, apesar de conclusões semelhantes ao depoimento de Esteves, nenhum processo foi aberto.

Segundo o atual presidente do partido Centro Democrático Social, José Ribeiro e Castro, o caso mostra que a Justiça portuguesa não funciona.

“É um escândalo que a Justiça não tenha funcionado. Já a quinta comissão parlamentar de inquérito, em 1994, tinha chegado a conclusões semelhantes”, disse.

Em 1994, Ribeiro e Castro era o diretor de informação do canal de televisão TVI, que conduziu uma investigação a respeito. Segundo ele, naquela época, Esteves negava ser o autor do artefato.

Na época, por causa das investigações, os jornalistas do canal de televisão chegaram a ser ameaçados de morte.

 
 
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