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27 de fevereiro, 2007 - 10h00 GMT (07h00 Brasília)

Simulador de terremoto pode ajudar vítimas a superar trauma

Simuladores de terremoto podem diminuir os sintomas do estresse pós-traumático em pessoas que sobreviveram a tremores de terra, de acordo com um estudo.

Pesquisadores da Grã-Bretanha e Turquia desenvolveram um simulador que pode ser controlado pelo próprio paciente e descobriram que a técnica é mais eficaz do que sessões com um psicológo.

O estudo foi realizado pelo Instituto de Psiquiatria de Londres e pelo Centro de Pesquisa e Terapia Comportamental de Istambul e publicado na revista Psychological Medicine.

O simulador é uma pequena casa pré-fabricada, colocada em cima de uma plataforma motorizada.

A simulação é controlada por um computador, mas o paciente pode determinar a velocidade e intensidade dos tremores, e parar a sessão a qualquer momento usando um controle remoto.

No estudo, 31 sobreviventes do mesmo terremoto e sofrendo de estresse pós-traumático foram tratados com uma sessão única no simulador ou uma série de consultas com um psicólogo.

Os sintomas foram analisados por até dois anos após o início do estudo.

Situações traumáticas

A melhora entre os pacientes que usaram o simulador foi 20% maior do que entre os que receberam acompanhamento psicológico.

“Eu observei que as pessoas que sobreviveram a terremotos tinham medo de estar em situações em que o ambiente pudesse tremer, como em um edifício pré-fabricado que treme com ventos fortes ou a passagem de um caminhão’, disse Mertin Basoglu, coordenador da pesquisa.

Ele decidiu criar um simulador mais barato após descobrir que os equipamentos existentes custavam cerca de U$ 500 mil (cerca de R$ 1 milhão).

O novo equipamento deverá custar cinco vezes menos. “Pode parecer um equipamento caro, mas é eficiente já que você pode tratar entre cinco e dez pessoas em uma só sessão”, disse.

Basoglu disse que o estudo mostrou que pessoas que usaram o simulador antes de passarem por um terremoto verdadeiro conseguiram lidar melhor com a situação.

Segundo a psicóloga britânica Leslie Carrick-Smith, o simulador é uma versão de alta tecnologia de uma antiga teoria.

“Esse tratamento é baseado em uma velha técnica chamada desensibilização progressiva, onde você reintroduz uma pessoa aos poucos a uma situação com a qual ela se sente desconfortável”, disse.