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21 de março, 2007 - 14h48 GMT (11h48 Brasília)

Mapas 'revelam' que português descobriu Austrália em 1522

A Austrália foi descoberta pelos portugueses, e não pelos holandeses ou britânicos, de acordo com um novo livro.

O livro Beyond Capricorn (Além de Capricórnio, em tradução-livre), do pesquisador Peter Trickett, foi lançado nesta semana pela editora australiana East Street Publications.

Segundo a obra, um explorador português, que liderava uma frota de quatro navios, entrou na Baía de Botany, no que hoje é a Austrália, no ano de 1522.

A data é quase cem anos antes da passagem dos holandeses e 250 anos antes da chegada do britânico Capitão Cook, que reivindicou a Austrália como propriedade da Grã-Bretanha em 1770 na mesma baía.

Mapas

A prova estaria em mapas marítimos encontrados em um baú de uma biblioteca de Los Angeles, nos Estados Unidos.

Os mapas, desenhados à mão, descobertos pelo autor Peter Trickett, mostram mais de cem locais nas costas da Austrália e da Nova Zelândia, com nomes em português.

"Isso pode ser um choque para os anglófilos, mas as evidências nos mapas não deixam nenhuma dúvida de que os portugueses navegaram na baía de Botany e a representaram graficamente 250 anos antes da chegada de Cook em seu (navio) Endeavour", disse Trickett.

"Os portugueses, provavelmente, estiveram lá em dezembro de 1522. Seu mapa da baía de Botany foi incrivelmente preciso. Todos os detalhes da baía são mostrados", disse.

Segundo o livro, a descoberta não foi por acaso, mas, sim, o resultado da expedição de quatro navios ordenada pelo então rei Manuel 1º de Portugal.

As descobertas teriam sido mantidas em segredo por causa da "paranóia de Portugal com a ameaça de seu rival maior e mais poderoso, a Espanha".

"Qualquer tentativa de divulgar esses segredos de Estado era um crime punido com a pena de morte", explicou Tricket.

O Atlas Vallard, que contém os mapas, foi compilado pela primeira vez em 1547, na França, usando gráficos portugueses.

A obra foi mantida em residências de aristocratas franceses e, posteriormente, britânicos, antes de ser comprada pelo magnata americano Henry Huntington e adicionada à biblioteca criada por ele em Los Angeles.