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Atualizado às: 30 de maio, 2007 - 17h14 GMT (14h14 Brasília)
 
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A cada ano, 19 milhões de abortos inseguros matam 70 mil, diz relatório
 

 
 
Instrumento usado para fazer abortos
A maior proporção de abortos inseguros ocorre nos países pobres
Dos 46 milhões de abortos realizados por ano em todo o mundo, 19 milhões são abortos inseguros, que podem causar risco de vida para a mulher. 70 mil mulheres morrem todos os anos em conseqüência desses procedimentos, de acordo com o relatório Morte e Negação: Abortamento Inseguro e Pobreza, divulgado nesta quarta-feira pela Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF, na sigla em inglês).

A maior proporção de abortos inseguros ocorre nos países pobres, principalmente naqueles onde o procedimento é ilegal. De acordo com o relatório, 78% do total de abortos no mundo ocorrem nos países em desenvolvimento. Dos abortos inseguros, 96% são realizados nestes países.

A África concentra a maior proporção: 58% do total. Na América Latina são realizados 17%, na Ásia 9% e na Europa 5%.

“As maiores vítimas são as mulheres pobres e as meninas mais jovens, que não têm acesso ao aborto seguro”, afirma a diretora da IPPF, Carmen Barroso. “Mesmo numa situação de aborto clandestino, o dinheiro compra serviços de melhor qualidade”, disse ela.

Brasil

No Brasil, o Ministério da Saúde estima que ocorram 1 milhão de abortos por ano, causando a morte de 180 mulheres. Entidades que lutam pela legalização do procedimento estimam que o número real seja duas ou três vezes maior do que esse.

“Uma morte já é demais, já que ele é totalmente evitável”, diz Carmen Barroso. “Nos países onde o aborto é legalizado não ocorrem mortes”, afirma.

O relatório afirma ainda que as mulheres mais pobres morrem mais em conseqüência de abortos inseguros, embora não apresente uma pesquisa mundial sobre o assunto.

No Brasil, há uma maior proporção de abortos induzidos e de maior mortalidade materna nas regiões mais pobres do país.

Na média brasileira, a taxa de abortos induzidos é de 2,07 por 100 mulheres de 15 a 49 anos, segundo dados de 2005. Enquanto no Nordeste a proporção é de 2,73 para 100, no Sul cai para 1,28 para cada 100.

A mortalidade materna permanece estável desde 2000, num nível considerado elevado pelas autoridades de saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2004 foram registrados 54,35 mortes maternas por 100 mil crianças nascidas vivas. A proporção é maior no Nordeste, de 63,8 por 100 mil. No Sudeste, são 44,4 óbitos por 100 mil crianças.

O aborto representa 9,5% das mortes maternas diretamente relacionadas à gravidez.

Nos últimos cinco anos, foram registradas 1,2 milhão de internações no Sistema Único de Saúde por causa de complicações pós-aborto. No ano passado, as curetagens após complicações com tentativas de aborto foram a segunda maior causa de internação na área de obstetrícia, superadas apenas pelo parto normal. Foram realizadas 230.523 internações por este motivo, com o custo de R$ 33,7 milhões.

Já os abortos por questões médicas, realizadas com autorização judicial, somaram 2.068 internações no ano passado, com um custo de R$ 302 mil.

 
 
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