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07 de maio, 2007 - 13h42 GMT (10h42 Brasília)

Marina Wentzel
Enviada especial a Bangcoc

China fecha mais de 3 mil fábricas poluidoras

A China fechou 3176 fábricas poluidoras em 2006, anunciou nesta segunda-feira o órgão do governo responsável pela proteção ao meio-ambiente.

O fechamento é resultado de uma campanha de fiscalização que avaliou 720 mil empresas no ano passado.

Os principais alvos da campanha foram os casos de contaminação de recursos hídricos, de projetos que estavam sendo planejados sem estudos de impacto ambiental e a superlotação de parques industriais.

O departamento de Proteção ao Meio Ambiente (Sepa, em inglês, State Environment Protection Administration) juntamente com outras divisões ministeriais investigou a fundo 28 mil casos de desrespeito a leis ambientais.

Além das mais de 3 mil fábricas fechadas, 163 novos projetos foram suspensos por terem efeitos negativos sobre o meio ambiente. A soma dos investimentos destes projetos alcançaria um total de cerca de 96 bilhões de dólares (R$ 195 bilhões), segundo a agência de notícias Xinhua.

Entre as iniciativas canceladas estão a construção de usinas siderúrgicas e geradoras termoelétricas.

Contaminação

Somente no ano passado foram registrados 161 acidentes de vazamento e contaminação por poluição no país, segundo dados oficiais.

Além disso, das 20 cidades mais poluídas do mundo 16 estão na China, de acordo com o Banco Mundial.

Mas o governo tem dado sinais de que está alarmado com a situação.

Para pressionar as empresas a adotar uma postura mais verde, o Sepa divulgou em março uma "lista negra" das 6 mil instalações industriais que mais poluem.

Grandes empresas como a poderosa petroleira Sinopec, produtora de petróleo, foram denunciadas, apesar de seus fortes laços com o Partido Comunista.

Meta

A China tem uma meta ambiental ambiciosa. De acordo com o 11º plano qüinqüenal, o consumo de energia por unidade do Produto Interno Bruto deve ser reduzido ao final de cinco anos em 20% e as emissões de agentes poluentes devem cair em 10%.

Mas em 2006 não foi possível cumprir a parcela anual de racionalização. Era necessário diminuir o consumo de energia por unidade do PIB em 4% e cortar as emissões poluentes em 2%.

O país só conseguiu reduzir o consumo energético em 1,23% e as emissões poluentes na verdade cresceram em 1,2%.