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30 de maio, 2007 - 23h36 GMT (20h36 Brasília)

Morales joga futebol na rua em protesto contra Fifa

O presidente da Bolívia, Evo Morales, participou de uma partida de futebol nas ruas de La Paz nesta quarta-feira, em protesto contra a decisão da Fifa de proibir jogos em altas altitudes.

Morales disse que se ele e seus ministros conseguem jogar em La Paz, os maiores jogadores do mundo também conseguem.

A Fifa decidiu na semana passada proibir jogos em cidades que ficam mais de 2,5 mil metros acima do nível do mar, alegando que a altitude afeta a saúde dos atletas.

O presidente boliviano convocou para o dia 6 de junho em La Paz uma reunião de autoridades de países latino-americanos que hospedam jogos em altitudes elevadas.

'Partida-protesto'

Morales e seus ministros jogaram uma partida-protesto em frente ao palácio do governo de La Paz, cidade que fica 3,6 mil metros acima do nível do mar.

"É possível jogar futebol tanto em altitudes altas como baixas, e nós esperamos, com esta demonstração de autoridades. Sem futebol, não pode haver unidade sul-americana", disse Morales.

"Esperamos que eles ponham as suas mãos no coração e considerem que este erro discrimina e marginaliza o esporte em altas altitudes."

Manifestantes também praticaram exercícios físicos em La Paz contra a decisão da Fifa. Em Quito, no Equador, o prefeito da cidade convocou a população a protestar.

Em Bogotá, capital da Colômbia, o prefeito prometeu escalar um pico de 3,3 mil metros para mostrar que a altitude não traz riscos à saúde.

'Vitória da humanidade'

A Fifa promete ouvir autoridades que discordam da sua medida no dia 14 de junho, durante um encontro em Assunção, no Paraguai.

O presidente do Flamengo, Kleber Leite, disse que a decisão da Fifa foi "uma vitória da humanidade".

No dia 15 de fevereiro, o time carioca empatou em 2 a 2 com o time boliviano Real Potosí em uma partida da Copa Libertadores realizada na Bolívia, a cerca de 4 mil metros de altitude.

Durante o jogo, os atletas do Flamengo repetidas vezes tiveram que inalar oxigênio para suportar o esforço. O time brasileiro reclamou à Fifa, que acabou tomando a decisão.

A Associação de Futebol da Argentina disse que a altitude pode provocar "dor de cabeça, tontura, náusea, problemas gastrointestinais e fadiga".

Por outro lado, o médico da seleção peruana de futebol, Javier Arce, disse que a Fifa também deveria proibir partidas em lugares quentes e úmidos, nas cidades de baixa altitude.