BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
 
Atualizado às: 06 de junho, 2007 - 18h15 GMT (15h15 Brasília)
 
Envie por e-mail Versão para impressão
Quase 60% dos gays de SP já sofreram agressão, indica pesquisa
 

 
 
Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, 2006 (Foto: Cézar Xavier)
Pesquisa foi feita com público da Parada Gay de quatro capitais
Cerca de 59% dos homossexuais que freqüentam a Parada Gay em São Paulo já sofreram algum tipo de agressão pela sua orientação sexual, indica uma pesquisa encomendada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH).

Contratado pela Secretaria, o Instituto Criterium entrevistou 846 pessoas que participaram do evento no ano passado. Também foram feitas 1.373 entrevistas em Manaus, Porto Alegre e Natal.

Mais da metade dos casos relatados em São Paulo são de agressões verbais e ameaças de agressão física, indica o levantamento.

Embora os dados das outras três cidades ainda não tenham sido sistematizados, a Secretaria adianta que os resultados são semelhantes aos de São Paulo.

"Outra constatação é que no geral as vítimas de discriminação, preconceito e agressão não têm percebido nenhum encaminhamento concreto", afirma o diretor do Grupo Gay de Alagoas, Marcelo Nascimento, que apresentou, em Brasília, os resultados da pesquisa nas quatro cidades a 300 profissionais que trabalham no combate à homofobia.

Por outro lado, a assessoria de Comunicação da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informa que nem sempre as vítimas de ataques homofóbicos denunciam os crimes.

A vice-presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, Regina Facchini, diz que o levantamento confirma que o público que sofre violência é muito maior do que o que denuncia.

"Muita gente tem vergonha de dizer que apanhou porque é gay. Elas também têm medo de ser destratadas novamente", diz Facchini.

Os 59% dos 846 entrevistados que dizem ter sofrido algum tipo de agressão "devido à sua sexualidade" relataram casos de agressão verbal e ameaça de violência física, agressão física, chantagem ou extorsão, violência sexual e o golpe do remédio "Boa Noite, Cinderela".

Quando a pesquisa incluiu todo tipo de discriminação, esse número subiu para 67% (em São Paulo).

O combate à homofobia será tema de campanha da 11ª Parada do Orgulho GLBT de São Paulo. A organização da parada espera que 3 milhões de pessoas participem do evento, neste domingo, na avenida Paulista.

Homicídios

Embora não haja dados oficiais sobre assassinatos de homossexuais e transexuais, um levantamento do Grupo Gay da Bahia indica que 51 homossexuais foram mortos no país apenas entre janeiro e abril.

Segundo a entidade baiana, projetando-se este número para o resto do ano, 2007 deve superar o ano passado, quando 88 homossexuais foram mortos.

Marcelo Cerqueira, presidente do GGB, ressalta que os dados são "incompletos" porque são baseados em notícias de jornais e informações enviadas à ONG.

O jornalista André Fisher, diretor do site Mix Brasil, observa também que o levantamento do GGB não discrimina assassinatos comuns dos homofóbicos.

"No caso de um latrocínio, não dá para saber se o cara foi morto porque, sem querer, colocou um assaltante dentro de casa, ou se foi morto pelo fato de ser gay", diz Fisher.

'Desejo Marginal'

O sociólogo Antonio Celso Spagnol, autor do livro Desejo Marginal, que analisa três casos de assassinatos de homossexuais, diz que a forma violenta de matar é uma das marcas do crime homofóbico.

Assassinatos de homossexuais
2004: 158
2005: 61
2006: 88
Fonte: Grupo Gay da Bahia

"Casos de extrema violência são típicos. Às vezes vejo no jornal 'sujeito morreu com 20 facadas, teve o crânio esmagado, ninguém sabe quem foi'. É praticamente certo que seja homossexual, pela extrema violência que o sujeito causa no outro", diz Spagnol, do Núcleo dos Estudos da Violência (NEV) da USP.

Os dados reunidos pelo GGB confirmam a observação do sociólogo. A maioria das mortes registradas até abril revela assassinatos por facadas, estrangulamento, decapitação, entre outros métodos brutais.

"Não se trata somente de matar o outro, se trata de destruir o corpo do outro porque a relação é com ele mesmo. É destruir aquilo que o outro personifica para destruir o que está dentro de mim", afirma Spagnol, que acaba de rever a edição de 2001 para nova publicação neste ano.

Embora os números variem para baixo nos últimos três anos, o estudioso acredita que a variação tenha mais a ver com a inconsistência dos dados do que com uma real flutuação no número de crimes.

"A violência não acabou, mas não está aumentando. É chocante, mas comparado com anos anteriores, é mais ou menos a mesma coisa – dois homossexuais por semana."

Fisher, como outros líderes do movimento, defende a criminalização da homofobia para coagir os ataques.

"É importante que você explicite a discriminação contra a orientação sexual como um crime igual ao racismo."

O projeto de lei 5003/01, que criminaliza a homofobia, já foi aprovado na Câmara dos Deputados e está agora na Comissão de Direitos Humanos do Senado.

 
 
NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
 
 
Envie por e-mail Versão para impressão
 
Tempo | Sobre a BBC | Expediente | Newsletter
 
BBC Copyright Logo ^^ Início da página
 
  Primeira Página | Ciência & Saúde | Cultura & Entretenimento | Vídeo & Áudio | Fotos | Especial | Interatividade | Aprenda inglês
 
  BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
 
  Ajuda | Fale com a gente | Notícias em 32 línguas | Privacidade