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Atualizado às: 06 de junho, 2007 - 09h35 GMT (06h35 Brasília)
 
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China: Ignorância sobre 'massacre' da Praça da Paz permite drible na censura
 

 
 
Praça da Paz Celestial em 1989
A imagem de um manifestante tentando conter o avanço de tanques circulou o mundo
Uma chinesa encarregada de monitorar os classificados em um jornal na China permitiu a publicação de um anúncio polêmico por desconhecer um dos principais episódios da história recente do país, o massacre da Praça da Paz Celestial.

O anúncio, publicado no jornal Folha da Tarde de Chengdu na segunda-feira, dizia: "Um tributo às persistentes mães da Praça da Paz Celestial".

O drible na censura revela o desconhecimento que muitos jovens têm da história recente da China e expõe o forte controle que o Partido Comunista exerce sobre
os fluxos de informação no país.

A Praça da Paz Celestial foi palco, em 1989, de um massacre promovido pelas forças de segurança para esmagar um protesto de estudantes por maior liberdade no país.

Tabu

A jovem tem idade universitária e trabalha em uma empresa de anúncios sub-contratada pela publicação de Chengdu, no centro-sul do país.

Segundo fontes do jornal South China Morning Post, a jovem teria recebido o anúncio de um cliente no fim de maio e teria ligado para conferir o que significava a mensagem marcada para 4 de junho. “O homem disse que era uma data em que aconteceu um acidente numa mina”, contou a fonte ao jornal.

A publicação do anúncio no começo da semana fez o Partido Comunista Chinês lançar uma intensa investigação para descobrir e punir os responsáveis pela nota. Todos os empregados do jornal foram chamados para interrogação.

A identidade do autor do anúncio ainda não foi revelada.

Na China continental o massacre da Paz Celestial é tabu. Os livros escolares não mencionam o evento e a imprensa nacional está proibida de publicar artigos sobre o assunto. Buscas nos principais sites por “Tiananmen”, que quer dizer “Paz Celestial” em chinês, resulta em links bloqueados.

Mas em Hong Kong, ex-colônia britânica que hoje é administrada pela China mas goza de um alto nível de autonomia, o massacre da Praça da Paz Celestial é abertamente discutido. Na noite de segunda-feira 55 mil pessoas participaram de uma vigília com lanternas em homenagem às vitimas.

“Não acredito que a censura de Pequim vá aliviar num futuro próximo. Ainda demora pelo menos uma geração” disse à BBC Brasil Samantha Lee, uma estudante de arquitetura que participou da manifestação em Hong Kong.

Eventos na Praça da Paz Celestial em 1989
15 de abril: Morre o líder reformista Hu Yaobang
22 de abril: Serviço em Memória de Hu; Milhares pedem pela aceleração das reformas
13 de maio: Estudantes começam uma greve de fome, enquanto o Partido Comunista luta para manter o controle da situação
15 de maio: Líder soviético Mikhail Gorbachev visita a China
19 de maio: Em lágrimas, o líder Zhao Ziyang faz um apelo aos estudantes para que saiam da praça
20 de maio: É decretada lei marcial
3-4 de junho: Forças de segurança invadem a praça, matando centenas de pessoas

Todos os anos milhares de manifestantes se reúnem no parque Victoria na noite de 4 de junho para relembrar o massacre.

Desta vez compareceram ainda mais participantes depois que um legislador aliado de Pequim, Ma Lik, negou que o evento de 1989 tivesse acontecido e condenou a imprensa internacional por utilizar a palavra “massacre”.

Massacre de 1989

Em 4 de junho de 1989 a liderança chinesa permitiu o uso da força para dispersar milhares de manifestantes que estavam acampados há várias semanas em frente à sede do governo, na Praça da Paz Celestial de Pequim, pressionando por mais mudanças democráticas.

A ação militar expulsou à força os manifestantes que se recusaram a sair, matando centenas ou até milhares de pessoas. Não há um número preciso de mortes, mas estimativas variam entre trezentos e quatro mil.

O governo comunista oficialmente classifica as demonstrações de 89 como “contra-revolucionárias” e nunca divulgou detalhes sobre o evento. Em 2005, Pequim rejeitou pedidos de dissidentes para rever a questão de Tiananmen e dar maior abertura ao debate.

 
 
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