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Atualizado às: 17 de junho, 2007 - 12h42 GMT (09h42 Brasília)
 
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Irã critica condecoração de Salman Rushdie
 
Salman Rushdie
Salman Rushdie passou parte da vida ameaçado por uma fatwa
O governo do Irã criticou as autoridades britânicas por terem conferido a honraria de "Cavaleiro do Império Britânico" ao escritor Salman Rushdie.

O quarto livro do autor, Os Versos Satânicos, de 1988, ofendeu muçulmanos em todo o mundo e levou às autoridades religiosas do Irã a decretarem uma fatwa (decreto) em 1989, pedindo a morte do escritor.

O porta-voz do ministério do Exterior iraniano, Mohammad Ali Hosseini, disse que a decisão de homenagear Rushdie é uma mostra de "islamofobia" das autoridades britânicas.

"Dar uma medalha a alguém que é uma das figuras mais detestadas na comunidade islâmica é um exemplo gritante do antiislamismo das altas autoridades britânicas", disse Hosseini.

"A medida de honrar este apóstata certamente vai deixar os governantes britânicos mal perante as sociedades islâmicas, cujas emoções e sentimentos foram novamente provocados."

'Merecido'

Já o ministério do Exterior britânico afirmou que a honraria de Salman foi "fartamente merecida".

Salman Rushdie, de 59 anos, foi uma das quase 950 pessoas a entrarem na lista de honra do aniversário oficial da Rainha da Inglaterra, divulgada no sábado.

Os nomes foram indicados por organizações públicas ou por especialistas.

Desde que voltou à vida pública, em 1999, o autor de origem indiana não tem evitado polêmica.

Apoiador do secularismo, Rushdie tem criticado o que chama de "totalitarismo" islâmico e a obrigatoriedade dos véus para as mulheres.

Filho de um empresário bem-sucedido, Sir Salman Rushdie nasceu em uma família muçulmana em Mumbai, na Índia, em 1947.

Ele foi educado na Inglaterra e estudou na Universidade de Cambridge.

Prêmio Booker

Depois de uma carreira como publicitário em Londres, passou a se dedicar em tempo integral à literatura.

A primeira novela dele, Grimus, de 1975, foi ignorada pela comunidade literária e pelo público em geral.

Já o seu segundo livro, Os Filhos da Meia-Noite, foi um sucesso, vencendo o cobiçado prêmio Booker em 1991. Em 1993, ganhou o Booker of Bookers, sendo considerado o melhor livro nos 25 anos do prêmio.

Os Versos Satânicos relata uma batalha cósmica entre o bem e o mal e combina fantasia, filosofia e farsas.

Foi imediatamente condenado pelo mundo islâmico por retratar – segundo muitos, com blasfêmias – o profeta Maomé.

O livro foi proibido em vários países islâmicos. Em 1989, o aiatolá Khomeini, líder espiritual do Irã, decretou uma fatwa, pedindo a execução do escritor. A fatwa só foi revogada em 1998.

Apesar de viver virtualmente como um prisioneiro, com proteção policial, Sir Salman Rushdie continuou escrevendo livros e ensaios.

 
 
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