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08 de junho, 2007 - 10h53 GMT (07h53 Brasília)

Michael Bristow
De Pequim

China liberta escravos de fábrica de tijolos

Autoridades chinesas libertaram 31 trabalhadores que estavam sendo mantidos escravos em uma fábrica de tijolos na China.

Sujos e desorientados, oito deles estavam tão traumatizados que apenas se lembravam de seus nomes.

Os homens eram obrigados a trabalhar sem pagamento das 5h da manhã à 1h da manhã seguinte, em troca apenas de pão e água.

A fábrica, na província de Shanxi, pertence ao filho de um secretário do Partido Comunista local.

A polícia disse à BBC que o proprietário, Wang Binbin, havia sido preso, e que seu pai, Wang Dongji, está sob investigação.

Diversas outras pessoas também foram presas. O capataz continua foragido.

Regime duro

Segundo a imprensa chinesa, os trabalhadores resgatados haviam sido ludibriados a trabalhar na fábrica.

Uma vez lá, tiveram de enfrentar um regime duro. Um homem teria sido morto a marteladas por não trabalhar rápido o suficiente.

Os policiais que realizaram a batida descobriram que os homens estavam usando as mesmas roupas havia um ano.

Eles não haviam se lavado, cortado o cabelo, nem escovado os dentes.

"A sujeira no corpo deles era tão grossa que poderia ser removida com uma faca", relatou o Beijing News.

Os trabalhadores exibiam marcas de queimadura no corpo, por serem obrigados a carregar tijolos que não haviam esfriado.

A polícia agora está providenciando para que os homens recebam o salário que lhes cabe, e depois sejam mandados de volta às suas casas – embora os oito homens desorientados não consigam recordar onde moram.

A população local diz que a fábrica, perto de Linfen, deveria ter sido fechada anos atrás, não fosse a proteção do secretário local do partido único.

A China tem dez milhões de trabalhadores migrantes.

Eles deixam suas casas no campo em busca de trabalho, e normalmente têm de encarar condições severas, tratamento desumano e salários baixos.