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Atualizado às: 02 de julho, 2007 - 08h05 GMT (05h05 Brasília)
 
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Começo de mês
 
Ivan Lessa
Domingo, primeiro dia de julho, céu coberto em Londres. Deverá chover um pouco. E fazer sol outro tanto. Temperatura lá pelos 20º.

Em Wimbledon, na segunda, dia 2 (domingo não tem tênis), o pitar premiado deverá ser inaugurado com multa que poderá chegar a R$ 755, dando assim início oficial à temporada da caça ao tabagista impondo seu imundo vício em recintos públicos fechados.

Um ou dois chatos, o cigarrinho molhado quase aceso, tentarão discutir com as autoridades argumentando, com certa razão, que quadra de tênis não é “recinto fechado”. Público, sim, fechado, não.

Julho. Mês danado para entrar mal em campo. Fim de semana começou com atentado frustrado, e quase que por acaso, em Londres, seguiu em frente para um sábado com jipe tentando se explodir, juntamente com dois terroristas, um em chamas, no aeroporto de Glasgow, na Escócia.

Não chegou a haver um pânico contido por todo o país, mas, cá e lá, entre fulano e sicrano, que deu um friozinho na boca do estômago, lá isso deu. Os turistas, quase sempre americanos, se entreolham assustados, buscando conforto entre compatriotas (“Esses ingleses são malucos”, pensam baixinho).

Ocorre-lhes o lugar-comum da “fleuma britânica” e, discretos, se afastam dos cidadãos de aspecto asiático, que aqui os há em vastas quantidades, e nada há a se fazer, a não ser para eles sorrir na hora de pagar a conta na mercearia da esquina, sempre aberta até depois de meia-noite. Será que já começou, para valer, a “missão de paz” do ex- (estranho depois desse tempo todo escrever ex-) premiê Tony Blair?

O cobra do novo premiê

Atende pelo perigoso nome de Cobra, o serviço ultra-secreto reunido exclusivamente só nas questões qualificadas como de extrema seriedade.

Oficialmente, no sábado, a situação no Reino Unido foi categorizada como “crítica”, a mais alta possível na escala de perigo, iminente e eminente.

A nova ministra do Interior, Jacqui Smith, encontrou sua expressão mais séria e enfrentou o habitual batalhão executivo mediático. O novo premiê, Gordon Brown, ao se dirigir à nação, não teve necessidade de exibir voz ou expressão graves, uma vez que, para ele, são ambas primeira e segunda natureza.. Gordon Brown tem o jeito de quem não brinca em serviço. Ou fora dele.

Três ou quatro vezes o sol tentou dar as caras. Olhou, olhou, viu que a situação estava a perigo e voltou a cochilar atrás das nuvens e acabar de ler os jornais de domingo.

Felizmente nem tudo eram maus presságios.

O concerto da Princesa

Para assinalar a passagem do que seria o 46º aniversário de seu nascimento, e a quase um mês exato de sua morte, os príncipes William e Harry decidaram homenagear a memória da mãe, Diana, a Princesa de Gales, com um vasto concerto no recém-reformado estádio de Wembley.

Não fosse o terrorismo islâmico e só se estaria falando disso. Na verdade, só se falou disso. O canal 1 da BBC TV transmitiu tudinho, das 3 e meia da tarde até mais de 10 e meia da noite.

A Radio 2 da BBC também não perdeu um acorde, uma palavra gaguejada. No sábado, ainda junino, os jovens príncipes conferiram o moderno estádio, deram entrevista pela televisão e mostraram-se animados com as perspectivas.

No domingo, foi aquele desfile de astros, estrelas e talentos, muitos dos quais com seus nomes ligados ao da falecida Princesa: inclusive lorde Richard Attenborough e, via gravação, Nelson Mandela, o mesmo que, em célebre entrevista, já dissera que o momento mais inesquecível de sua vida fôra quando “conhecera as Spice Girls”.

Não, essas não estiveram presentes. Ficam para outra.. Mas lá estavam, em matéria de entretenimento popular (música é outra coisa), Tom Jones, Bryan Ferry, Status Quo, Rod Stewart, Take That, não esquecendo Duran Duran, Nelly Furtado, Lily Allen, the Feeling, P Diddy, Natasha Bedingfield, Orson, Kanye West, Pharrell Williams e Joss Stone, entre muitos, mas muitos outros. Só de espectadores, mais de 60 mil – todos ululantes e emocionados.

Destaque e parêntese especial para o icônico e emblemático sir Elton John, que por duas vezes na vida teve reescrita por seu companheiro e letrista, Bernie Taupin, “Candle in the Wind”, música inspirada na morte de Janis Joplin, escrita para Marilyn Monroe e reescrita para Diana, quando de sua morte.

Por que compor uma música novinha em folha? Isso é complicado. Vamos mexer um pouquinho na letra e pronto. Assim deve ter raciocinado a inspirada dupla. Sir Elton encerrou os trabalhos com uma música ritmada, cumprindo a promessa de nunca mais cantar do que acontece com vela ao vento.

Ah. Não esquecer que o English National Ballet deu o ar de sua graça e piruetou o favorito da Princesa: “Lago dos Cisnes”, claro.

Muitos afirmam que o ponto alto do concerto foi o pot-pourri de músicas, por assim dizer, de Andrew Lloyd Webber. Outros lembraram-se das imagens estampadas nas primeiras páginas de todos os jornais do dia: aquele jipe e um asiático ardendo no aeroporto de Glasgow.

 
 
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