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27 de julho, 2007 - 18h24 GMT (15h24 Brasília)

Spielberg ameaça deixar cargo na Olimpíada de Pequim

O cineasta Steven Spielberg está disposto a deixar o cargo de diretor artístico das Olimpíadas de Pequim a não ser que a China assuma uma posição mais severa contra o Sudão, segundo informações do portal de notícias na internet da rede de televisão americana ABC.

A China, um dos grandes investidores da indústria petrolífera do Sudão, foi criticada por não enviar tropas de paz da ONU para a região de Darfur.

"Steven tomará uma decisão nas próximas semanas a respeito de seu trabalho com os chineses. Nosso maior interesse é acabar com o genocídio (no Sudão). Mas ninguém sabe muito bem como fazer isso", afirmou o porta-voz do cineasta, Andy Spahn, ao portal de notícias da ABC.

Grupos de defesa dos direitos humanos acusaram a China de vender armas para o Sudão, que acabaram na região de Darfur.

"Steven é um dos muitos conselheiros para os Jogos Olímpicos de Pequim e está tentando usar os jogos para engajar os chineses nesta questão", disse Spahn.

O porta-voz acrescentou que os dois lados estão mantendo um "diálogo particular" e que Spielberg deve ouvir uma declaração do governo chinês "em breve".

Acusações de colonialismo

O cineasta escreveu ao presidente chinês, Hu Jintao, em maio, pedindo que a China pressionasse o governo do Sudão para que aceitasse as tropas de paz da ONU, mas esta é a primeira vez que Spielberg afirma que está pensando em abandonar seu papel nos Jogos Olímpicos.

A carta do cineasta foi enviada depois de críticas feitas pela atriz Mia Farrow, que atacou o envolvimento de Spielberg nos Jogos Olímpicos de 2008 em um artigo escrito no jornal Wall Street Journal, em março.

"Será que o senhor Spielberg realmente quer entrar para a história como a Leni Riefenstahl dos Jogos de Pequim?", escreveu a atriz, comparando o diretor à cineasta alemã que teve o apoio dos nazistas ao fazer um filme sobre os Jogos Olímpicos de Berlim em 1936.

Em junho a China anunciou um plano para lançar um fundo de US$ 1 bilhão para aumentar o comércio e investimento na África, mas a medida gerou acusações de que os chineses estavam praticando colonialismo moderno.