BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
 
Atualizado às: 05 de setembro, 2007 - 08h57 GMT (05h57 Brasília)
 
Envie por e-mail Versão para impressão
Vazapédia
 
Ivan Lessa
Wikipédia a gente já conhece: é a enciclopédia do povo, assim como Diana, Princesa de Gales, foi, segundo o ex-primeiro-ministro Tony Blair, a “princesa do povo”.

Pode ser que sim, pode ser que não. Válido tanto para a Wiki quanto para Diana.

A Wikepédia, como todos estão cansados de saber, é escrita por internauta, verificada por internautas graduados e nada se pode retirar dela, só acrescentar.

Deve ser por isso que volta e meia eu consulto a Wiki e fico na mesma. Em várias línguas, já que a bruta é poliglota e se exibe até mesmo nesse português que, ano que vem, vai cair em desuso, para alegria de São Tomé e Príncipe.

Já que falei em São Tomé e Príncipe, dou uma chegadinha mais para o leste e adentro o que já foi chamado, por fãs de filme de Tarzan, de “Continente Negro”. Faz calor e eu estou em pleno Quênia.

O que houve com o Quênia?

Houve que eu andei lendo nos jornais do fim-de-semana que o Ministério do Exterior britânico atacou violentamente as investigações que naquele país, que já foi colônia, examinam uma interminável série de acusações de corrupção durante o regime de Daniel Arap Moi, presidente do Quênia de 1978 a 2002 e líder do partido KANU.

Toda essa beleza graças ao apoio dado pelos Estados Unidos, sempre espalhando a democracia pelo mundo afora, como quem joga migalhas de pão-de-ló para os pobres.

Faço questão de sublinhar que esse dado fui pescá-lo na Wikipédia em português, que, por sinal, me diz que é Quénia e não Quênia. A reforma, ortográfica ao menos, cuidará desses detalhes, agudos e circunflexais.

Ao que interessa: eu estava nos jornais do fim-de-semana. Constatando que os Estados Unidos, como quem pede de volta as migalhas aos pombinhos, atacaram e atacam o Quênia (ou Quénia) pelo seu papel desempenhado no encalço do desaparecimento de 2 bilhões de dólares durante os anos Arap Moi.

Ao que parece, e em tudo se assemelha, a comissão de inquérito queniana Kroll, que apura o misterioso sumiço, se mostrou surpresa com a recusa do governo britânico em colaborar com as investigações.

Comissão de inquérito, ou mesmo de inquêrito, nós, brasileiros, sabemos muitíssimo bem o que é. A recusa dos britânicos é mais estranha. Tão estranha que o Ministério do Exterior aqui mandou resposta dizendo que muito pelo contrário, está todo mundo louco para colaborar com os trabalhos.

Agora, além de 2 bilhões de dólares, o governo britânico tem que procurar se explicar com as autoridades de Nairóbi, capital tanto do Quênia quanto do Quénia. Já foi citado aqui, pelo atual governo, o apoio dado pela Grã-Bretanha a outros bilhõezinhos desaparecidos, esses da Nigéria (e nunca, nunca Nigêria).

No meio disso tudo é fartamente citada a tal da Wikileak. Que, pelo menos no momento, me parece mais interessante do que uns míseros bilhões de dólares.

Wikileak

Esse sítio em questão aparece nos moldes, tanto físicos quanto de espírito, da Wikipédia, e busca, segundo diz “obter o máximo de impacto”.

A Wikileaks afirma já ter recebido mais de 1 milhão e 200 mil documentos oriundos de fontes e comunidades – anônimas, sempre, de acordo com o figurino.

Foi a Wikileaks que conseguiu uma cópia do relatório Kroll, o tal que investiga Arap Moi, sua família e seus (supostamente seus) dólares, e cuja existência tem o fim expresso de facilitar o que eles mesmos chamam de “massas de documentos de difícil rastreamento e análise”.

Segundo o sítio em questão, o objetivo principal de sua existência é expor os regimes opressivos na Ásia, no ex-bloco soviético e no Oriente Médio, assim como também o comportamento antiético de corporações e governos ocidentais.

Em seu sítio, na sua declaração de princípios e fins, por assim dizer, a Wikileaks diz que espera a colaboração, ou seja, o “post”, de tudo quanto é jornalista, anônimos ou sorridentes para as objetivas, dissidentes, tecnocratas e matemáticos (matemáticos?). Que possam vir dos Estados Unidos, da China, Taiwan, Europa, Austrália e África do Sul. Conforme se lia em anúncios classificados sentimentais do século passado, garante-se “sigilo absoluto”.

Curiosamente, a América Latina não é mencionada. Quem quiser que leia o que bem entender nas entrelinhas.

Eu, no entanto, se fosse brasileiro, peruano ou venezuelano, ou mesmo colombiano e argentino, e tivesse qualquer coisa para vazar, wikivazaria, podem estar certos.

Pensando bem, eu wikivazaria mesmo que nada tivesse para vazar a não ser que meu vizinho de vez em quando toma um porre e bate na mulher. Só para testar a água e o sítio.

 
 
Arquivo - Ivan
Leia as colunas anteriores escritas por Ivan Lessa.
 
 
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Sexo! Sexo! Sexo!
03 setembro, 2007 | BBC Report
Ivan Lessa: Parabéns, blogueiros
31 agosto, 2007 | BBC Report
Ivan Lessa: Um prefeito perfeito
29 agosto, 2007 | BBC Report
Ivan Lessa: Azul e cor-de-rosa
27 agosto, 2007 | BBC Report
Férias: idas e vindas
24 agosto, 2007 | BBC Report
Ih, mais fone!
23 julho, 2007 | BBC Report
Férias: leituras em Cascais
22 agosto, 2007 | BBC Report
Do embranquecimento
13 julho, 2007 | BBC Report
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
 
 
Envie por e-mail Versão para impressão
 
Tempo | Sobre a BBC | Expediente | Newsletter
 
BBC Copyright Logo ^^ Início da página
 
  Primeira Página | Ciência & Saúde | Cultura & Entretenimento | Vídeo & Áudio | Fotos | Especial | Interatividade | Aprenda inglês
 
  BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
 
  Ajuda | Fale com a gente | Notícias em 32 línguas | Privacidade