BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
 
Atualizado às: 28 de setembro, 2007 - 23h31 GMT (20h31 Brasília)
 
Envie por e-mail Versão para impressão
Para Brasil, liderança ambiental dos EUA depende de ações
 

 
 
O presidente dos EUA, George W. Bush, em conferência sobre o meio ambiente realizada em Washington
Em seu discurso, Bush propôs criar fundo para tecnologias limpas
O papel de liderança que os Estados Unidos buscam exercer no combate à emissão de gases poluentes depende de ações concretas nesse sentido por parte do governo americano.

É essa a opinião do embaixador Everton Vargas, subsecretário-geral para Assuntos Políticos do Itamaraty, que comandou a delegação brasileira na conferência sobre meio ambiente realizada em Washington nesta quinta e sexta.

O encontro, realizado na sede do Departamento de Estado americano, contou com a participação de 16 dos maiores poluentes mundiais, entre eles o Brasil.

''Você tem liderança quando você tem ações. O desafio é global. Isso não significa que alguns façam e outros não. A maioria no mundo ainda espera dos Estados Unidos um compromisso.''

Histórico

Os americanos não ratificaram o Protocolo de Kyoto da Convenção da ONU em Mudanças Climáticas. O protocolo impõe às nações signatárias limites para a emissão de gases causadores do efeito estufa e já foi ratificado por 169 países.

O documento estipula que os países que o ratificaram reduzam seu nível de emissões a um índice inferior ao de 1990. Em 2012, vence o prazo que impõe índices compulsórios para a redução de emissões.

''Os Estados Unidos defendem uma postura voluntária em relação à fixação de metas para a redução de gases poluentes. Nós pensamos de forma distinta a esse respeito'', disse Vargas.

''As metas compulsórias contidas no Protocolo de Kyoto significam que você tem alvos específicos, e eles não cumpriram esse compromisso.'' Por isso, afirma o embaixador, é preciso ver como os americanos irão se posicionar após 2012.

Reunião

Segundo Vargas, a reunião realizada em Washington nesta quinta e sexta não chegou a quaisquer conclusões definitivas e foi basicamente ''um brainstorm'' com vistas à Conferência da ONU de Mudanças Climáticas, que será realizada em Bali, na Indonésia.

''O evento foi organizado pelo governo americano, que montou toda a sua agenda. O governo não trouxe novas propostas em termos das posições americanas. O que vimos foi uma reiteração do que já foi apresentado antes.''

Mas Vargas acrescentou que o presidente americano, George W. Bush, surgiu com novas idéias em seu discurso para os participantes do evento, realizado nesta sexta-feira.

''O presidente Bush apontou duas coisas novas. Uma delas foi a proposta de criar um novo fundo para tecnologias limpas, que seria mantido com contribuições dos governos mundiais e ajudaria a financiar projetos energéticos em diferentes partes do mundo. A outra proposta é a de promover livre comércio global com tecnologias energéticas, através da eliminação de tarifas em bens energéticos e serviços.''

Mas ao mesmo tempo em que propõe um comércio livre em termos de tecnologias de energia, Vargas vê certa contradição por parte do governo americano.

''O presidente Bush enfatizou a importância do etanol, mas não mencionou as tarifas de US$ 0,54 cobradas sobre o etanol brasileiro exportado para os Estados Unidos. E isso é algo bem importante.''

Preservação florestal

De acordo com Vargas, o Brasil voltou a marcar posição em temas que tem apresentado em outros fóruns internacionais, como o de obter compensação por promover preservação florestal em seu território - proposta que foi apresentada no ano passado pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na reunião sobre mudanças ambientais realizada em Nairóbi, a capital do Quênia.

''É uma proposta de incentivos econômicos, que seriam oferecidos aos países que conseguiram reduzir suas emissões através da preservação florestal. Para assegurar a preservação, seria criado um fundo que permitiria a essas nações receber algum tipo de ajuda financeira. Seria uma forma de recompensá-los.''

O embaixador também defendeu a necessidade de promover a transferência de tecnologias limpas para países em desenvolvimento.

''É um tema essencial para lidar com mudanças climáticas. Mas não podemos apenas dizer que iremos cooperar que tudo será resolvido. Porque é preciso investimento e amadurecimento, em termos de pesquisa, para que possamos chegar ao setor privado, que irá disseminar essa tecnologia.''

De acordo com Vargas, não é possível ''ficar esperando para que as tecnologias mais apropriadas cheguem até nós, enquanto as emissões continuam aumentando''.

O embaixador citou o exemplo da China e da Índia. ''Os dois países precisam gerar eletricidade para suas regiões rurais e mais pobres. Os chineses e indianos atualmente têm de recorrer ao carvão para gerar energia para estas áreas. E, por isso, vão precisar imediatamente da melhor tecnologia disponível.''

Vargas acrescentou que não é possível que estes países ''sacrifiquem suas regiões mais pobres em prol daqueles que querem simplesmente seguir guiando seus SUVs, que emitem mais de 50% de poluentes do que outros carros.''

 
 
Pesquisa BBC
76% de brasileiros querem ação urgente contra efeito estufa.
 
 
SolMeio ambiente
Tema preocupa 74% dos jovens brasileiros, segundo pesquisa.
 
 
AmazôniaAmazônia
Adaptação à mudança do clima 'é melhor do que se pensa'.
 
 
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Países adiantam fim de gás nocivo à camada de ozônio
22 de setembro, 2007 | Ciência & Saúde
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
 
 
Envie por e-mail Versão para impressão
 
Tempo | Sobre a BBC | Expediente | Newsletter
 
BBC Copyright Logo ^^ Início da página
 
  Primeira Página | Ciência & Saúde | Cultura & Entretenimento | Vídeo & Áudio | Fotos | Especial | Interatividade | Aprenda inglês
 
  BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
 
  Ajuda | Fale com a gente | Notícias em 32 línguas | Privacidade