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24 de setembro, 2007 - 18h50 GMT (15h50 Brasília)

Ban Ki-Moon cobra ação global para mudança climática

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, afirmou nesta segunda-feira que a forma como os governos lidam hoje com as mudanças climáticas definirão o legado que deixarão para as futuras gerações e que a ONU é o melhor fórum para discutir quais ações devem ser tomadas.

"Se nós não agirmos agora, o impacto das mudanças climáticas será devastador. Nós temos medidas viáveis e tecnologias para começar a enfrentar o problema agora. O que nós não temos é tempo", disse Ban, no encontro de mais alto nível já realizados pelas Nações Unidas para discutir o assunto.

"Hoje, o tempo das dúvidas acabou. O painel intergovernamental da ONU sobre mudanças climáticas afirmou de forma inequívoca o aquecimento do nosso sistema climático e o associou diretamente a atividades humanas."

Líderes e delegados de 150 países, incluindo 80 chefes de Estado, se reuniram nesta segunda-feira na sede da ONU em Nova York para discutir como combater o aquecimento global.

A reunião ocorre poucos dias antes de o presidente americano, George W. Bush, realizar seu próprio encontro para discutir mudanças climáticas. Bush, que se reúne nesta segunda-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não participou do evento desta segunda.

O presidente americano receberá na Casa Branca representantes de 16 grandes emissores de gases poluentes associados ao aquecimento da Terra nas próximas quinta e sexta-feira.

Ação global

Em seu discurso, Ban Ki-Moon reforçou que a questão climática não pode ser vista pelos governos como um desafio estritamente nacional porque envolve necessariamente uma ação global e coordenada.

"A ação nacional por si só é insuficiente", disse o secretário da ONU. "Daí a razão de nós precisarmos confrontar as mudanças climáticas num contexto global, que garanta o mais alto nível de cooperação internacional exigido. Este é precisamente o tipo de desafio global que para o qual a ONU está preparada."

O secretário-geral da ONU defendeu que os países façam todo o possível para que um novo acordo global já esteja em vigência em 2012, quando expira a primeira fase do Protocolo de Kyoto.

"Nosso objetivo não deve ser nada menos do que um real avanço em Bali", salientou, referindo-se ao encontro anual sobre o Tratado do Clima na ilha indonésia, que será realizado em dezembro.

Energia nuclear

Durante o encontro da ONU, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que a França está disposta a ajudar qualquer país a desenvolver a tecnologia nuclear para gerar energia.

Para Sarkozy, os países ocidentais não podem propor a energia nuclear como alternativa limpa para o futuro e, ao mesmo tempo, impedir outros países de usá-la.

Em entrevista ao The New York Times, porém, o presidente francês disse considerar que as pesquisas do Irã destinadas supostamente ao desenvolvimento de uma arma nuclear representam uma grave ameaça para o mundo.

Já o presidente argentino, Néstor Kirchner, propôs que os países em desenvolvimento possam usar suas ações de preservação ambiental para abater suas dívidas externas.

"Propomos que, para solucionar os temas pendentes, nos sejam facilitados meios financeiros e tecnológicos novos e criativos, reconhecendo como mecanismos de pagamento da dívida externa a contribuição que implica a manutenção de reservatórios naturais de vegetação e bosques", disse Kirchner.

O encontro também contou com a presença do ex-vice-presidente americano Al Gore e do governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, que defendeu que todos os países devem fazer algo para enfrentar o aquecimento global.

"As nações ricas e as pobres têm responsabilidades diferentes, mas uma responsabilidade que nós todos temos é ação", disse Schwarzenegger.