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Atualizado às: 02 de novembro, 2007 - 00h01 GMT (22h01 Brasília)
 
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Estudantes e policiais voltam a se enfrentar na Venezuela
 

 
 
Confronto entre estudantes e policiais em Caracas
Polícia usou bombas de gás lacrimogêneo contra a multidão
Estudantes e policiais voltaram a se enfrentar nesta quinta-feira em Caracas, durante uma manifestação convocada pela oposição contrária à reforma da Constituição proposta pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

A pollícia usou bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e jatos de água para dispersar os milhares de manifestantes. Segundo a imprensa local, uma pessoa ficou ferida.

Esta foi a segunda vez em uma semana que estudantes de oposição e policiais entraram em choque durante manifestações.

O confronto desta quinta-feira teve início quando um manifestante quebrou um dos vidros do caminhão da polícia que bloqueava o acesso ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) – destino final da manifestação – e começou a jogar gasolina dentro do veículo.

Policiais que estavam em cima do caminhão dispararam, então, bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes antes de que o carro fosse incendiado.

Referendo

Enquanto um grupo de estudantes tentava “acorrentar-se” aos portões do Conselho Nacional Eleitoral, uma comissão de dirigentes estudantis entregou aos reitores do CNE uma petição na qual exigem que o referendo sobre a reforma constitucional, previsto para 2 de dezembro, seja adiado para fevereiro de 2008.

“Defendemos o direito à informação de todos os venezuelanos, por isso exigimos que se adie o referendo. Não conhecemos a reforma”, disse Stalin Gonzalez, um dos dirigentes estudantis, pouco antes de ingressar no CNE.

O reitor do CNE, German Yepez, disse ter explicado aos estudantes que não é competência do conselho modificar a data do pleito.

Por lei, o CNE deve convocar o referendo em um prazo máximo de 30 dias a partir da entrega formal da proposta de reforma. O texto final, que propõe a modificação de 69 artigos da Constituição venezuelana, deverá ser entregue pelos parlamentares nesta sexta-feira.

Oposição dividida

O protesto desta quinta-feira reuniu milhares de estudantes, membros de alguns partidos de oposição e o diretor do canal de TV Globovisión. Os manifestantes percorreram ruas do centro de Caracas com cartazes e bandeiras que diziam “Não à reforma”.

Alguns manifestantes vestiam camisetas vermelhas – cor usada pelos simpatizantes do governo – com um “Não” estampado no centro.

“Queremos que se suspenda a reforma, não queremos comunismo”, disse à BBC Brasil Carlos Sanchez, da Universidade Central da Venezuela.

Como em episódios anteriores, a reforma tem acentuado a divisão dos partidos de oposição, que até agora não apresentaram uma proposta única para tentar frear a reforma governista.

Enquanto os estudantes exigem o adiamento do referendo, um grupo da oposição chamado Comando da Resistência convocou a população a deslegitimar o pleito, por meio da abstenção.

Votação em blocos

O presidente Hugo Chávez, por sua vez, retificou nesta semana sua decisão inicial de que a reforma constitucional deveria ser submetida a aprovação em referendo de maneira unitária. Chávez propôs que a reforma seja votada em blocos.

O novo anúncio de Chávez atende a uma das exigências dos partidos políticos da oposição. “Minha proposta original foi fortalecida, com a inclusão de 36 novos artigos, e cheguei à conclusão de que poderia ser votada em blocos, como assinala a Constituição", disse o presidente venezuelano em um ato público em Caracas, nesta quarta-feira.

Na prática, segundo analistas, a votação em bloco pode significar que Chávez pretende colocar à prova dois projetos. O primeiro, apresentado por ele, com a modificação de 33 artigos. O outro, com as reformas propostas pelos parlamentares.

O ponto mais polêmico da proposta de reforma constitucional é o que permite o fim do limite para reeleição para o cargo de presidente. A Constituição vigente prevê apenas uma reeleição direta com um período de seis anos para cada mandato.

A reforma também propõe a redução da jornada de trabalho de oito para seis horas diárias, o fim da autonomia do Banco Central, a inclusão do "poder popular" na escala dos poderes nacional, estatal e local e a proibição do latifúndio.

 
 
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