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Atualizado às: 04 de novembro, 2007 - 20h38 GMT (18h38 Brasília)
 
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EUA irão rever ajuda ao Paquistão, diz Rice
 
Homem é preso ao protestar em Islamabad no domingo
Soldados ocupam áreas da capital paquistanesa, Islamabad
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse neste domingo que os Estados Unidos irão rever a ajuda financeira destinada ao Paquistão, depois que o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, decidiu declarar estado de exceção no país asiático.

O Paquistão já recebeu cerca de US$ 10 bilhões dos Estados Unidos desde 2001, principalmente para financiar operações contra militantes islâmicos.

O país é considerado um dos principais aliados americanos na chamada “guerra contra o terror”, lançada pelos Estados Unidos depois do 11 de Setembro.

“Nós temos um esforço significativo contra o terrorismo no Paquistão e por isso temos que rever toda a situação”, disse Rice em uma visita a Jerusalém. “Obviamente, nós vamos rever a situação no tocante à ajuda (financeira).”

Apelo

Rice pediu ao presidente paquistanês que confirme a realização das eleições parlamentares, que estavam previstas para janeiro até antes de o estado de exceção ser anunciado.

“Estou decepcionada com a decisão dele (Musharraf). Eu acho que a decisão é um retrocesso para o Paquistão no tocante ao progresso considerável que o país obteve a caminho de mudanças democráticas”, disse.

“É no melhor interesse do Paquistão e do povo paquistanês que haja um retorno rápido à ordem constitucional, que se afirme que eleições para um novo parlamento serão realizadas e que todos os lados envolvidos sejam comedidos no que é, obviamente, uma situação muito difícil.”

Pervez Musharraf, presidente do Paquistão
 A falta de ação neste momento seria o mesmo que o Paquistão cometer suicídio. Eu não posso permitir que este país cometa suicídio.
 
Pervez Musharraf, presidente do Paquistão

Neste domingo, o primeiro-ministro paquistanês, Shaukat Aziz, confirmou que a eleição pode ser adiada, mas garantiu que o governo continua defendendo o processo democrático.

Desde a decretação do estado de emergência no Paquistão, no sábado, líderes de oposição foram presos.


Aziz disse que entre 400 e 500 "prisões preventivas" foram feitas até agora e que o estado de exceção durará "o quanto for necessário".

Musharraf impôs o estado de exceção alegando que extremistas estão à solta impunemente no Paquistão e que, se nenhuma ação firme for tomada, o país estaria em perigo.

Protestos nas ruas

O dia começou calmo na capital Islamabad, com poucas pessoas nas ruas. Mas à tarde, alguns manifestantes fizeram um protesto perto do prédio do Parlamento e foram reprimidos pela polícia.

Segundo o correspondente da BBC em Islamabad Syed Shoaib Hasan, alguns manifestantes foram presos.

Além das prisões, o governo fez restrições severas aos meios de comunicação. Todos os canais de televisão e algumas estações de rádio foram tiradas do ar – incluindo o canal de TV da BBC.

Jornais independentes puderam circular livremente.

A ex-premiê Benazir Bhutto acusou Musharraf de impor uma lei marcial sem declará-la explicitamente.

Nos últimos meses, o Paquistão, um importante aliado dos Estados Unidos na Ásia, tem sido palco de instabilidade política, com a diminuição crescente da popularidade de Musharraf – que chegou ao poder em um golpe de estado em 1999.


 
 
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